09 de julho de 2026
Geral

Ataques de hackers a sites do governo alertam a população

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 5 min

"Este mês, o governo vivenciará o maior número de ataques de natureza virtual na sua história". A ameaça, ilustrada por um olho humano nas cores e inscrições da bandeira nacional, esteve estampada no site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ontem após a invasão de um grupo de hackers.

O ataque - assim como outros tantos que estão ocorrendo nos últimos dias - acende o alerta na população, que segundo especialistas, deve redobrar a atenção, inclusive em dispositivos móveis como iPads e celulares.

De acordo com José Antônio Milagre, comentarista de tecnologia, advogado e perito especializado em segurança da informação, vivemos atualmente em "estado de sítio virtual". Ele explica que esse neologismo simboliza perfeitamente a situação de insegurança de hoje na web. "O que estamos vendo agora é um verdadeiro estado de calamidade cibernética".

Segundo o perito, a melhor maneira de se proteger desses ataques pontuais é realmente não utilizar quaisquer serviços desses sites públicos, uma vez que até mesmo as páginas de prefeituras estão sendo alvos dos hackers.

"A pessoa não deve pagar um débito ou gerar um imposto, como é o IPTU, nos sites públicos. É preciso evitar o fornecimento de qualquer informação ou dados nessas páginas. Enquanto essa onda não passar, é o melhor a se fazer", alerta.

Todavia, outro efeito desses ataques é a insegurança da população. Ao ver invasões em sites oficiais e teoricamente bem protegidos, o internauta comum questiona e teme qual o nível de fragilidade de sua máquina pessoal. Por isso, o especialista ainda dá outras dicas de segurança na web . "É preciso sempre manter bons e atualizados antivírus e o firewall no seu computador. Isso é fundamental".

Ele explica que a pessoa deve sempre ficar atenta a um pequeno cadeado na barra inferior direita do navegador, que ajuda a demonstrar o nível de proteção das páginas. "Outra dica muito importante é jamais clicar em links enviados por email e nem seguir as instruções dessas mensagens eletrônicas que pedem a mudança de alguma senha", completa o perito especializado em segurança na informação.


Serviços bancários

Outro ponto que preocupa os internautas é o uso de serviços bancários via web. A facilidade e acessibilidade de informações de contas por meio do computador se expande a cada dia e o perigo de uma invasão também.

Entretanto, José Antônio Milagre afirma que é possível se prevenir. Ele aponta que, além de manter o computador protegido, algumas práticas podem "enganar" os hackers e os programas utilizados por eles.

"Uma dica boa é, sempre que for fazer o login em um sistema bancário pela Internet, digitar a senha errada na primeira vez. Assim, ele emite um aviso e, quando pedir de novo, você digita o código certo. Isso funciona porque o programa usado pelo hacker acaba ?pegando? o primeiro código digitado", explica.

O perito ainda completa que acessos bancários - assim como outras operações que envolvam informações sigilosas - nunca devem ser feitos em computadores públicos. "Nunca utilize lan houses ou máquinas compartilhadas por outras pessoas para acessar seu banco via web ou mesmo para comprar alguma coisa", finaliza o advogado e perito especializado em segurança da informação José Antônio Milagre.

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Hackerativismo e ?arruaceiros?
expõem fragilidade do governo


Na invasão realizada ontem no site do IBGE, os autores afirmam que os ataques são "uma forma de protesto de um grupo nacionalista que deseja fazer do Brasil um país melhor". Para alguns, é o que se configura como hackerativismo.

O movimento é caracterizado por grupos que invadem sites para desmascarar a corrupção, fazer críticas ao governo e pedir transparência. É uma espécie de militância política dos tempos atuais.

O perito José Antônio Milagre, entretanto, afirma que outros grupos, como o famoso LulzSec - responsável por alguns dos ataques - atacam apenas por arruaça, sem motivação alguma, podendo causar danos reais à população.

"Em todos os casos, o que fica claro é a falta de preparo do governo brasileiro para lidar com isso. Em outros países, o governo se alia com hackers ?do bem? para que eles ajudem a manter os sistemas protegidos. Aqui, há um egocentrismo e nenhum preparo para esses ataques", conclui.

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Celulares e iPads também estão sujeitos a invasões


Foi-se a época em que web era praticamente sinônimo de computador. Com a invenção e propulsão das diferentes tecnologias para dispositivos móveis, cada dia mais as pessoas navegam na Internet por meio de aparelhos como os iPads e os celulares.

Entretanto, segundo o perito em segurança da informação José Antônio Milagre, mesmo com a utilização cada vez mais frequente, as pessoas não se protegem nesses dispositivos, o que facilita a ação dos hackers.

"O acesso por esses aparelhos é mais inseguro justamente porque as pessoas não tomam precauções. O que os usuários precisam entender é que esses dispositivos se tornaram computadores. Eles possuem disco rígido e são conectados na internet 24 horas. Assim, precisam se proteger da mesma maneira que um computador precisa", alerta.

Milagre explica que existem vários antivírus disponíveis para os sistemas operacionais dos celulares e tablets e ainda aponta que a atenção da população é fundamental. "Muitas pessoas deixam o aparelho configurado para compartilhar de informações. Com isso, é muito fácil alguém invadir o aparelho e pegar fotos, mensagens, arquivos, entre outros".

Além de informações pessoais, esse perigo aumenta quando chega ao nível profissional. "Muitas empresas dão celulares aos funcionários, que usam o aparelho para o trabalho. Um hacker pode conseguir informações da empresa assim. Isso é muito perigoso e as pessoas precisam ficar atentas."