A estação mais fria do ano, que começou há poucos dias, é a mais ?quente? para o comércio de Pratânia (69 quilômetros de Bauru), por mais contraditório que possa parecer. É neste período do ano que as três fábricas de confecção em couro trabalham a todo vapor, colocam suas coleções em exposição e até triplicam as vendas.
Criadas ?em casa?, as roupas e calçados da cidade ?viajam? para todo o País e para o Exterior, servindo de vestimenta para pessoas famosas, especialmente do mercado sertanejo. Uma das empresárias da cidade, Neide Brasil, confeccionou a roupa usada pela dupla Rick & Renner em sua primeira apresentação na tevê.
A produção e venda de artigos em couro é a atividade mais famosa da cidade e gera, nesta época do ano, mais de 300 vagas. São costureiras, modistas e vendedoras que atendem aos turistas que procuram roupas modernas que aquecem e duram muito.
Além de movimentar o setor voltado ao couro, a visita dos turistas também ?aquece? o comércio hoteleiro, restaurantes e até o segmento cultural. O museu Tonico e Tinoco é uma das atrações do local. A simplicidade da cidade que possui pouco mais de quatro mil habitantes é outra característica marcante.
As vedetes dessa coleção são as jaquetas em vermelho queimado para as mulheres e as tipo aviador para os homens. No inverno 2011, as jaquetas de couro femininas ficaram mais curtas, cheias de detalhes e ganharam cores. Porém, o marrom ainda predomina nas vendas, inclusive sobre o preto, que reinou por várias estações.
A maior e mais antiga confecção da cidade fabrica em média 200 peças ao mês, que somadas chegam a 2.400 peças/ano. Todo o couro usado na confecção de roupas chega do Rio Grande do Sul e, para o empresário Mauro Corrêa da Silva, não ficam devendo nada aos importados. "O Brasil produz um couro bem trabalhado. Isso significa que a roupa confeccionada em couro não emite odor. Você pode colocá-la no guarda-roupa ao lado de outra que não tem cheiro."
A mais antiga confecção de Pratânia traz a ?marca? da imigração italiana na região. A família fundou em 1934 a primeira sapataria que, ao longo da sua história, se transformou em uma ampla loja e está a um passo de virar franquia.
Exportação não faz parte da lista de prioridades da empresa, que levou Pratânia a ficar famosa pelas botas e confecção em couro. "Desistimos do mercado exterior porque em 2004, durante uma missão empresarial ao Japão, constatei que o Oriente Médio, especialmente o Paquistão, tem um couro muito bom por um preço muito baixo. Não temos como fazer concorrência", conta o empresário Abílio Paschoalinotte Jr.