09 de julho de 2026
Geral

Mulheres são as suas principais críticas

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 3 min

Outro ponto levantado pela pesquisa "Verdade sobre a Beleza", encomendada pela Dove, produto da Unilever, e feita pelo instituto de pesquisa inglês StrategyOne, é o fato das mulheres serem suas principais críticas. 59% das entrevistadas assumem sentir pressão para serem belas. Para 32%, a pressão vem delas mesmas, enquanto a sociedade é responsável por 12%, seguida por amigos e familiares com 9% e da mídia com 6%.

Vinculado a valores culturais e históricos, os padrões de beleza são modificados de época em época. Houve um tempo em que o padrão de beleza feminino era o da mulher mais "cheinha" e, hoje, a mulher magra é tida como mais bela. Segundo a psicoterapeuta psicanalítica Ana Celina Pires de Campos Guimarães, a juventude é o modelo de beleza e eficiência da nossa cultura. Nesse contexto, onde o externo é enfatizado pela sociedade, a mulher é tratada como objeto quando associada a diversos tipos de propaganda de bens de consumo. "E, para ser aceita, muitas vezes ela busca preencher padrões ilusórios de perfeição e passa a tratar a si mesma como um objeto a ser ?consertado? e ?reformado? por cirurgias plásticas e outros procedimentos", afirma Guimarães.

Comparações

A bióloga Fernanda Oliveira (nome fictício) atribui a sua dificuldade de aceitação e sua baixa autoestima às comparações sofridas, principalmente, na infância e adolescência. "Meu pai vivia comparando as filhas com outras garotas e hoje tenho dificuldades até mesmo de me relacionar afetivamente. Por ser muito insegura, acho que meus parceiros sempre vão se interessar por outras mulheres".

Segundo Guimarães, o primeiro espelho de um bebê é o rosto da mãe e depois das pessoas que estão ao seu lado. Tal reconhecimento tem grande importância na constituição da autoestima e da autoconfiança do ser humano, especialmente nas fases iniciais da vida. Sofrer comparações depreciativas podem, sim, acarretar frustrações.

"Quebrar os paradigmas culturais de que existe uma única beleza, descobrir e explorar os pontos fortes internos e externos e, sobretudo, ter amor por si mesma como um sujeito completo e não como um objeto de consumo, são atitudes fundamentais para se sentir bonita e confiante", aconselha a psicoterapeuta.


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Insatisfação com aparência leva, cada vez mais cedo, a cirurgias plásticas


Para o cirurgião plástico Antônio Assunção, correções na face e no corpo têm atraído pacientes cada vez mais jovens às clínicas de cirurgias plásticas. Insatisfação, baixa autoestima e a valorização da opinião alheia são os principais motivos que levam às cirurgias corretivas.

"A correção de orelhas de abano é a cirurgia campeã entre meninos e meninas, já a partir dos 10 anos de idade ou mesmo antes. A procura por implantes de silicone é evidenciada já a partir dos 15 anos, seguida pelas rinoplastias ou plásticas de nariz e pelas lipoaspirações", aponta Assunção.

As intervenções se distinguem, normalmente, de acordo com a faixa etária do paciente. Segundo constata Assunção, as jovens de até 30 anos optam pelo aumento dos seios, lipoaspiração e cirurgia de nariz, enquanto as mulheres que já tiverem filhos buscam a cirurgia plástica de abdome e de mama ao mesmo tempo.

As cirurgias de pálpebras são as mais solicitadas por mulheres entre 30 e 38 anos. A partir dessa idade, a campeã é a cirurgia de rejuvenescimento facial ou "face-lift". "Homens adolescentes procuram mais pela rinoplastia, lipoaspiração dos pneuzinhos do abdome e a correção de ginecomastia, que é a presença de mamas crescidas", acrescenta o cirurgião.

Autoestima

O cirurgião plástico acredita que a autoestima das pacientes aumenta depois da cirurgia plástica. "Por outro lado, cerca de 80% das pacientes voltam para realizar novos procedimentos cirúrgicos condizentes com o incômodo de sua faixa etária. Vale sempre lembrar que é preciso ter cuidado na escolha do profissional, que deve atentar, na sua avaliação, se a queixa da paciente realmente procede e se a cirurgia é tecnicamente possível".

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Fala-Povo


Você se acha bonita?


"Com certeza, eu me acho bonita e procuro realçar meus traços".

Meire Yamamoto, farmacêutica


"Não me acho bonita porque vejo muita gente mais bela".

Elisabete Franco, professora aposentada


"Eu me acho bonita e procuro realçar minha beleza com maquiagem".

Mirelli Renata Domingues, vendedora e demonstradora


"Achar-me bela é uma questão de dia e humor".

Natália Offerni, fisioterapeuta