07 de julho de 2026
Entrelinhas

Entrelinha

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

?Com muita cautela

Mineiramente, em silêncio, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) resolveu retomar as providências para tentar o reinício da obra do viaduto inacabado, no Centro da cidade, o maior ícone à má gestão e irresponsabilidade com o dinheiro público da
história recente de Bauru. Uma das equipes do JC, em ronda pela cidade, percebeu, ontem à tarde, que havia um acesso praticamente pronto ligando à primeira alça do viaduto, junto aos trilhos da ferrovia. Foi verificar com o prefeito e soube, então, que a decisão política de retomar a obra havia sido tomada mais de uma década depois do início da construção.

?Pedras no caminho

Porém, a euforia deve ser contida e apenas aumentada na medida em que as próximas providências vão sendo tomadas e as pendências jurídicas entre a prefeitura e a empreiteira Camargo Corrêa vão sendo sanadas. É o reinício de um processo que agora ainda dependerá de aceite entre as partes, discussão jurídica, licitação e obras. Dinheiro há. São cerca de R$ 5 milhões que, segundo o prefeito, bastam para a primeira das duas alças iniciadas e não acabadas. E há prazos urgentes a serem cumpridos, pois o dinheiro, do Orçamento Federal deste ano, tem data de validade.

?Pagamento proposto

O prefeito já poderia ter iniciado esse procedimento de retomada das obras antes, mas preferiu a extrema segurança jurídica de pedir à Justiça a liberação (rescisão) do contrato com a Camargo Corrêa para poder contratar outra empresa para terminar a obra, enquanto discute com a empreiteira original (Camargo) uma dívida que chegou a se cogitar em absurdos R$ 17 milhões, prontamente denunciados pelo JC e, agora, no razoável patamar de R$ 8,6 milhões, conforme proposta da prefeitura encaminhada à Camargo Corrêa via judicial no final do mês passado.

?Esqueleto no armário

Essa dívida é fruto da irresponsabilidade de prefeitos que não a pagaram no início, não a negociaram e muito menos a quitaram a tempo de não se transformar neste monstrengo jurídico que emperrou o término da obra nos últimos 12 anos. O prefeito poderia, segundo alguns entendimentos jurídicos, ter iniciado o processo de licitação do que ainda falta sem ter de aguardar decisão judicial sobre a cobrança da dívida do que já foi excutado na obra. Mas preferiu a via judicial e é nela que a urgente contratação pode ser embargada, embora este não seja o objetivo da empreiteira, que deseja tirar esse esqueleto de seu imenso armário o mais rápido possível.

?Um esforço coletivo

Seja como for, o tempo está passando e não havia outra alternativa a não ser reiniciar, mesmo ainda sem o entendimento final com a Camargo Corrêa. Será uma tentativa que todos os bauruenses torcem para que seja bem-sucedida, independente de torcida político-partidária. Afinal, liberar este verdadeiro "mico" dos ombros de toda a cidade pode, além de ajudar nosso já complicado sistema viário, dar um novo alento ao andamento de outras tantas providências que Bauru demanda e quer ver atendidas.

?Alckmin e Duartina

No farto (politicamente) final de semana passado, o governador Geraldo Alckmin liberou obras para Duartina, além de Bauru, Iacanga, Águas de Santa Bárbara e Avaré. Acompanhado do presidente estadual do PSDB, deputado Pedro Tobias, Alckmin foi recepcionado pelo prefeito Juninho Aderaldo, pela primeira dama Daniela Reis Frontera Pereira de Souza e pela vice-prefeita Suzy Simão. Um dos anúncios mais esperados por Duartina e região foi feito pelo governador: recuperação de cerca de 55 km das SP-293 e SP-315, motivos, inclusive, de inúmeros pedidos via tribuna do leitor do JC.

?Quatro municípios

As obras de recapeamento beneficiarão diretamente os municípios de Duartina, Cabrália Paulista, Lucianópolis e Ubirajara. O edital da obra deverá sair no mês de julho. Em seguida, acontecerão a licitação e as obras estão previstas para terem início no mês de outubro. Alckmin também anunciou a liberação de verba para outras obras em Duartina, atendendo o prefeito Juninho Aderaldo.