08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Sacolas plásticas: dá para se viver sem elas, sim!


| Tempo de leitura: 2 min

Lembrando que "aqui nada se cria, tudo se copia", e que copiar o que já se criou e vem dando certo, é agilizar e evoluir mais rápido, que eu preciso falar! Visito minha filha que conclui seu doutorado na Irlanda. Encontro um país geograficamente encantador, com um povo ecologicamente evoluído e engajado. Compras não são mais carregadas em sacolas plásticas. As pessoas têm e usam suas próprias sacolas retornáveis. Ninguém sai para lugar algum sem sacolas nas bolsas e nos porta-malas dos carros. À disposição para venda, somente sacolas de material reciclado ou reciclável.

Outra surpresa agradável: nos supermercados, não encontro filas! Pegam-se os produtos das prateleiras para o carrinho, do carrinho para os caixas de dois tipos: você mesmo passa e paga tudo sozinho - e ninguém leva sem pagar um palito de fósforo sequer - e a tradicional caixa com caixa. Volta-se tudo para o carrinho e, em balcões que ocupam quase toda a extensão da frente dos caixas, as pessoas "ensacolam" suas compras ou vão para os carros e colocam as compras direto no bagageiro. Tudo rápido e simples.

Os pontos de coleta de lixo reciclável são muitos, com vários compartimentos para vidro verde, branco, marron, plástico, papelão... As pessoas levam as embalagens tetrapack abertas e lavadas. Então, o lugar é limpo e não cheira mal... E, na saída, à disposição de todos, um balde enorme de lenços umedecidos para higiene das mãos, sem proteção ou vigia. Procuro não ser preconceituosa, mas, naquele momento, ri muito, imaginando no Brasil situação idêntica. Se até o Bauruzinho levaram para casa, aqui, certamente, não duraria um dia o balde com os tais lencinhos... Mas isso tudo funciona porque o povo colabora. Então, voltei, copiei e coloquei em prática o que deu. Agora, minhas compras vão da prateleira para o carrinho, para o caixa e para minha sacola se for compra pequena; ou do carrinho para as sacolas do porta-malas do carro se for grande. A penca de bananas, a abobrinha, o que dá, sem saquinho. Só o que espalha ainda sai ensacado. Até já ganhei R$ 120,00 de bônus da rede de supermercados que incentiva essa prática.

Dias atrás, falando sobre esse mesmo assunto, alguém disse, parece que, com desdém: "Vamos voltar a viver como a vovó?" Vamos sim! No que der! No que puder! Minha vovó, já falecida, que morava no Rio de Janeiro de anos atrás, não viu a enorme tragédia que a degradação descabida da natureza, que tanto modificou o clima, acarretou às vovós do Rio de Janeiro de hoje, que viram seus netos morrerem soterrados por morros desabados! Mas o bônus maior, gente, é o quanto me sinto bem fazendo isso e vendo que alguns conhecidos, avisados por mim, também já estão fazendo assim... Nós, pelo menos, estamos tentando fazer de todos os nossos dias, dias de domingo!

Martha Regina Garcia Goffi - advogada