Roma - O brasileiro José Graziano da Silva, 61 anos, foi eleito ontem para o cargo de diretor-geral da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), derrotando o espanhol Miguel Ángel Moratinos.
Após vencer a disputa pelo cargo de diretor-geral o brasileiro disse ontem que sua prioridade à frente do organismo - que tem orçamento de US$ 1 bilhão - será o combate à fome.
"Precisamos erradicar a fome e ajudar os países mais pobres", disse o professor e agronômo brasileiro em seu primeiro pronunciamento, perante representantes de 177 nações. "A partir de agora, deixo de ser o candidato dos brasileiros para ser o diretor-geral de todos os países".
"Estou convencido, com base em minha experiência no Brasil e em outros países, que erradicar a fome é uma meta razoável e alcançável", afirmou ainda Graziano, recebendo muitos aplausos.
Graziano será o primeiro latino-americano a presidir a instituição encarregada de combater a fome no mundo. Ele sucede o senegalês Jacques Diouf, que ocupou o cargo de diretor-geral durante 17 anos.
O apoio dos países em desenvolvimento ao ex-ministro José Graziano pavimentou a vitória brasileira na disputa pela direção-geral da agência, avalia o Itamaraty.
Logo após a primeira rodada de votações, o Brasil pediu um recesso de 30 minutos para se reunir com o G77 (bloco dos países em desenvolvimento) e consolidar o apoio do grupo à Graziano. "Foi uma iluminada decisão brasileira de acertar o jogo", afirmou o porta-voz do Itamaraty, Tovar Nuves.
A eleição para a direção da FAO é feita em rodadas e se encerra apenas quando um dos candidatos recebe a maioria simples dos países-membros presentes.
O intervalo provocou reação dos países europeus, que chegaram a questionar a validade do pedido brasileiro. A assessoria jurídica da FAO, entretanto, autorizou o recesso.
Um dos principais argumentos utilizados pelo Brasil com o G77 foi o de que não havia motivo em deixar a FAO sob comando de um europeu -era o momento de algum representante dos países em desenvolvimento assumir a agência.
O candidato indonésio, Indroyo Soesilo, chegou a manifestar apoio à candidatura brasileira e pediu que seus votos fossem transferidos para Graziano. A presidente Dilma Rousseff foi informada do resultado logo após o anúncio da vitória de Graziano. Dilma e o ex-presidente Lula conversaram por telefone com o brasileiro.
Em sua primeira fala após a vitória, Graziano afirmou que não seria o diretor-geral de um grupo de países, mas de todos os 191 membros da FAO.
Turnos
Depois da primeira rodada de votação, com os seis concorrentes, quatro desistiram de continuar o processo de eleição. Continuaram na disputa somente o brasileiro e o ex-chanceler espanhol, Miguel Ángel Moratinos.
"Nós estávamos preparados para vários turnos, mas ficou muito difícil reverter o resultado (da primeira rodada). Daí a desistência deles", avalia o porta-voz do Itamaraty.
No primeiro turno, Graziano registrou 77 votos, contra 72 de Moratinos e somente 12 do terceiro candidato, o indonésio Indroyo Soesilo.
Dilma: eleição reflete reconhecimento
Brasília - A presidente Dilma Rousseff divulgou nota comemorando a vitória do ex-ministro José Graziano, na disputa pela direção-geral da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura). "Sua reconhecida contribuição na formulação da bem-sucedida estratégia governamental de assegurar o direito dos povos à alimentação, aliada às sólidas credenciais acadêmicas e ao profundo conhecimento da FAO, acumulado à frente do escritório regional da entidade em Santiago, conferem a José Graziano qualificações essenciais para o cargo que ocupará nos próximos quatro anos", afirma a nota da presidência divulgada ontem.
O mandato do brasileiro se estende de 2012 a 2015.
Na nota, a presidente afirma que a vitória do brasileiro reflete "o reconhecimento pela comunidade internacional das transformações socioeconômicas em curso em nosso País -que contribuem de forma decisiva para a democratização de oportunidades para milhões de brasileiras e brasileiros". Graziano foi ministro de Segurança Alimentar e Combate à fome do governo Lula.