10 de julho de 2026
Geral

Após divergências de opiniões, a rua Manoel Bento Cruz será pavimentada

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Em vários bairros de Bauru, moradores imploram pelo asfalto que nunca chegou. Já em outros, como no Centro da cidade, mais especificamente em algumas quadras da rua Manoel Bento Cruz, alguns moradores não querem que a rua de paralelepípedos receba asfalto.

Para Jorge Quatrina, morador da quadra 10 da via, o paralelepípedo, além de ser ecologicamente correto, impede que as águas das chuvas caiam em grande quantidade na avenida Nações Unidas.

"Queria muito que o paralelepípedo permanecesse porque, além de ser ecologicamente correto, ele é permeável, deixando a água infiltrar e também mantém a temperatura normal", opinou Quatrina.

O morador acredita que o asfalto não resolverá o problema, já que outras quadras já pavimentadas da mesma rua começaram a apresentar buracos. "É melhor deixar do jeito que está e garantir um futuro sustentável aos nossos filhos, netos e assim por diante", diz Quatrina, que mora na rua Manoel Bento da Cruz há 38 anos.


Contrastes


Assim como Quatrina, a moradora Raíssa Acerbi, 43 anos, apoia os paralelepípedos. "Dá um aspecto visual melhor, parece que a rua é menos urbana. Eu gosto dos paralelepípedos e não queria que retirasse para asfaltar", diz ela, que mora na via há quatro anos.

Já Lúcia Seleri, 49 anos, vizinha de Raíssa, apoia a iniciativa da Prefeitura Municipal em conjunto com a Secretaria de Obras a pedido dos moradores, que fizeram abaixo-assinado pelo asfalto. "Eu sou a favor do asfalto porque, além de valorizar essa área, diminuirá o barulho que os carros fazem ao passar por essa rua".

A equipe de reportagem do Jornal da Cidade apurou que os paralelepípedos deverão ser substituídos pelo recape asfáltico porque estão bastante deteriorados.

De acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Bauru, o secretário municipal de Obras, Eliseu Areco Neto, informou que mais de 100 moradores da região entregaram um abaixo-assinado solicitando a pavimentação.

O secretário respondeu em nota ao JC que o asfalto naquela rua é necessário e será feito por tratar-se de uma área de grande movimentação de veículos. Além disso, ainda segundo a assessoria, o paralelepípedo está precário em diversos trechos daquela via.

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Paralelepípedo x asfalto


Uma grande discussão entre os moradores adeptos do paralelepípedo é que as ruas compostas por essas pedras são altamente permeáveis, alimentam lençóis freáticos com a água estocada das chuvas e ainda fazem com que a temperatura se mantenha estável.

De acordo com o prefeito Rodrigo Agostinho, a quantidade de água infiltrada nos paralelepípedos é muito pequena para abastecer um lençol freático ou, por exemplo, o Aquífero Guarani.

"A água não infiltra tanto nos paralelepípedos porque abaixo dele existe uma camada de terra compactada que foi construída antes que o paralelepípedo fosse adaptado. Então a água das chuvas acaba escorrendo por ali", explicou.

Outro ponto crítico que fez com que a decisão fosse de asfaltar a via, além da manifestação dos moradores, foi o grande número de remendos que existem nesses trechos.

"Ali já foram feitos muitos remendos que estão danificados. Seria muito bom se a cidade crescesse bem planejada com mais áreas verdes para conter a água das chuvas. O paralelepípedo poderia ser pensado se ali também fosse uma rua de valor histórico para a cidade, que não é o caso", complementou Rodrigo.

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Escape

A rua Manoel Bento da Cruz é paralela à avenida Duque de Caxias, onde um grande fluxo de veículos circula o dia todo. Por isso, segundo o prefeito Rodrigo Agostinho, é necessário que esta via esteja em boas condições para ajudar a evitar congestionamentos.

"Para os carros passarem por ali a velocidade tem que ser bastante reduzida. Quando chove o paralelepípedo fica muito escorregadio. Nós queremos que as pessoas usem essa rua como válvula de escape para desafogar o trânsito na Duque de Caxias", diz o prefeito, Rodrigo Agostinho.