Calma leitores, não se trata de um título F.U.D., daqueles sensacionalistas e muitas vezes exagerados, com o intuito de chamar a atenção do leitor menos atento. Por outro lado, não se trata de uma realidade (infelizmente), mas do relato de um bauruense, que por momentos sonhou em ver uma fábrica dos len-dários macs, ipads, ipods e iphones a poucos quilômetros de sua residência.
Longe de vaidade pessoal, a fábrica da Apple cogitada em Lençóis Paulista fomentaria a economia, favoreceria o tão almejado desenvolvimento regional e empregaria milhares de pessoas e jovens, mudando o lamentável cenário do emprego na área, onde jovens terminam as faculdades de TI e infelizmente tem de se submeter a cargos absolutamente operacionais sem qualquer perspectiva ou viram "operadores de cobrança" em empresas da região, com salários humilhantes.
A Apple não fabrica computadores, fabrica Macs. A Apple mudou o mundo. E todos nós sabemos que o futuro tem sido apresentado a todos, constantemente, graças à empresa de Steve Jobs, que muito ainda promete, bastando analisar os pedidos de patentes da empresa no USTPO (United States Trademark Post Office), onde podemos "delirar" com o que vem pela frente. Imaginem toda esta te-cnologia e know-how, na região de Bauru? Nossos administradores sabem disso? Deram a devida importância ao tema?
A Apple no Brasil traria equipamentos até 30% mais baratos, pois não incidiria a elevada carga tributária da importação. Ainda que o Tablet iPad não seja considerando um computador segundo a Lei brasileira, teríamos um decréscimo dos preços. Hoje pagamos em média duas vezes e meia o valor dos produtos da Apple no Brasil. Isto sem contar a tecnologia, o valor agregado e o know-how, que ficariam na região com uma fábrica deste porte aqui.
Poderia Bauru desprezar esta oportunidade de sermos uma cidade antes e depois da Apple? Ou de cooperar com Lençóis nesta conquista? O que Bauru fez a respeito? Jundiaí fez, foi a mídia, fez apresentações, estratégias, ofereceu benefícios, falou mais do que podia, literalmente "vendeu o PowerPoint", se "entitulou" a vencedora e sai na frente na luta contra nossa região. A cidade já sedia desde 2007 a Foxconn, que na China monta os Iphones e Ipads da Apple. Em abril de 2011, o presidente da Foxconn disse que teria planos de investimentos que podem chegar a U$$ 12 bilhões no Brasil. Estamos em condições de perder parte destes investimentos?
No mesmo mês, Lençóis Paulista anunciou que estava na briga. A dinâmica Ribeirão Preto, mesmo "sem ser chamada" também teria entrado na disputa, o que é um exemplo a seguir. Mas, o que estamos fazendo para sermos "atrativos"? Um dos fundamentos da administração é o bom marketing e neste cenário, como estamos "vendendo a região de Bauru"? Vamos aguardar sentados a Apple nos procurar ou vamos mostrar nossos atrativos e estrutura imediatamente, criando um grande projeto regional para atração de empresas de tecnologia e industrias?
Nossa vice-prefeita é do partido da presidência e principalmente tem afinidade com o ministro da Ciência e Tecnologia, de seu partido, Aloizio Mercadante, que está alinhado no tema. Pergunto: o que foi feito para trazermos a fábrica para a região até agora? Qual apoio oferecido a Lençóis Paulista?
Com o devido respeito, não devemos nada para Jundiaí em termos estruturais, porém mais uma vez o que nos entristece é a ignorância de nossos governantes em lidar com temas como o presente e o desperdício temporal em temas sem benefício prático algum ao bauruense, em um nítido "governo basal". Sinceramente, eu, como muitos bauruenses, estamos pouco nos importando com temas como "onde será a nova sede do legislativo" ou "qual buraco foi tapado na semana passada". Isto é dever, é paisagem para o bom gestor. Queremos mais, queremos emprego, tecnologia, investimentos na região para que não tenhamos que abandoná-la, queremos capacitação e principalmente, que nossos governantes saibam honrar nosso voto e lutem por investimentos na região. Estamos fartos de perder disputas, de sermos "uma das", quermos ser "a" região.
A guerra pela Apple não acabou e pedimos que administração pública passe a tratar com mínimo de seriedade temas desta natureza. O governo de "bases" não é sufiente para nós. Que o Coração de São Paulo, que a terra sem limites, que a "terra do abacaxi", que nossa bela região, possa um dia ser elevada ao título de "terra da maçã". Eu quero trazer à mente aquilo que me dá esperança!
O autor, José Antonio Milagre, é comentarista de tecnologia, advogado e perito especializado em segurança da informação - e-mail: jose.milagre@legaltech.com.br - Twitter: http://www.twitter.com/periciadigital Site: www.legaltech.com.br