09 de julho de 2026
Nacional

Pão de Açúcar e Carrefour terão juntos 27% do varejo no País


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São Paulo - O Carrefour, segunda maior rede de varejo do mundo, recebeu uma oferta de união com o Pão de Açúcar no Brasil, numa operação que se aprovada por acionistas e autoridades de defesa da concorrência reforçará a liderança do grupo brasileiro no varejo nacional.

A proposta pelas operações brasileiras do Carrefour, que pode criar um grupo com domínio sobre 27% do varejo brasileiro, foi feita por meio da Gama, fundo do banco de investimento BTG Pactual, que conta com apoio do braço de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, BNDESPar. A oferta avalia o Pão de Açúcar como valendo R$ 17,14 bilhões.

A possível aquisição da rede de supermercados Carrefour pelo grupo Pão de Açúcar preocupa fabricantes de eletroeletrônicos, alimentos e bebidas, que temem perder força nas negociações com o "gigante" do varejo que resultaria dessa união. O negócio também causa apreensão aos sindicatos por conta de demissões nas áreas de sobreposição de lojas.

A concentração no setor varejista mina o poder de barganha da indústria e de produtores de alimentos, segundo relataram à reportagem fornecedores do setor.

A proposta surge depois que o Pão de Açúcar adquiriu nos últimos anos as redes de varejo Ponto Frio e Casas Bahia, operações que ainda não passaram pelo crivo do órgão de defesa da concorrência no País, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Ela também acontece após semanas de rumores sobre contatos do empresário Abílio Diniz, do Pão de Açúcar, com o Carrefour na França.

Pelos termos apresentados, a Gama junto com o BNDESPar formarão a Nova Pão de Açúcar (NPA), que terá 50% do Pão de Açúcar enquanto o Carrefour na França ficará com os 50% restantes da varejista brasileira. Com isso, o grupo de Diniz passaria a ter 100% do Carrefour Brasil.

Caso a operação seja aprovada pelos acionistas dentro dos próximos 60 dias, Diniz poderá ter cerca de 17% da NPA, enquanto o Casino teria uma participação de cerca de 29% na nova empresa.

O grupo informou que está preparando uma apresentação da proposta para Cade, mas não há um prazo para a entrega dos documentos.