Hoje, o palco do Santa Madalena abre espaço para um espetáculo de humor "sob alta pressão". O monólogo de 70 minutos será apresentado pelo ator e também autor Raul Gazolla, um genuíno carioca "da gema".
A peça, que está em cartaz desde 2009, traz, em tom bem-humorado, um pouco da história do ator que quase foi vítima de um enfarte e precisou colocar um stent para evitar que uma artéria de seu coração ficasse obstruída.
"Eu cheguei a apertar a mão do cara lá de cima. Aí eu disse a ele: espere aí. Minha filha está com 7 anos. E ele disse: vou ver como é que é que a gente vai resolver essa situação".
Foi com essa explicação que Raul Gazolla, atualmente com 55 anos, e esbanjando bom humor e largos sorrisos, explicou o que o levou a ter a ideia de escrever sua primeira peça,, "Pressão Alta", junto com o amigo Saulo Aride.
Raul Gazolla é um ator conhecido por seus papéis em novelas, em teatro e também como modelo. Por isso, ficou muito conhecido como galã pela mídia.
"As pessoas querem saber como vive uma pessoa famosa. E eu digo que a gente não vive diferente de ninguém. Só a nossa profissão que nos expõe mais. Existem três ou quatro perguntas que as pessoas me perguntam sempre: se existe beijo técnico, sobre ser rico, sobre mulheres", conta o ator, aos risos.
JC - Me conte um pouco como surgiu a ideia de escrever "Pressão Alta"
Raul Gazolla - Em 2009, eu tive um problema no coração e tive que colocar um stent em uma das artérias principais para abrir a artéria, porque ela estava fechada. Eu não cheguei a enfartar, mas eu poderia ter enfartado se não tivesse sido socorrido a tempo, e isso me deu um up. Como o cara lá de cima me deu mais uma oportunidade de ficar aqui na Terra, eu disse: nada melhor do que renascer. E o meu melhor amigo teve o mesmo problema que eu um mês antes de mim. Mas ele ficou deprimido porque eu acho que o fato de saber que está com um problema no coração, você associa isso a velhice. E eu associei como ter uma oportunidade de ficar mais aqui. Fiquei mais para cima do que para baixo. Resolvi escrever "Pressão Alta" junto com um amigo. Na verdade, a peça fala de experiências que eu tive na minha vida, que eu coloco para o público em um tom bem-humorado. Conto passagens divertidas, engraçadas, erradas, tropeços, muro que eu tive que pular, até chegar onde eu estou hoje.
JC - Mas você é atleta, sempre praticou esportes.
Raul Gazolla - Eu sempre pratiquei esportes e, inclusive, alguns anos antes eu tinha ganhado um campeonato de Jiu Jitsu senior. Mas eu digo que sou um cara que ganhou na Mega Sena sozinho. Porque eu vivi novamente e tive a oportunidade de estar aqui. Um mês antes, eu não tinha plano de saúde. Minha mulher tinha acabado de fazer um para a família. Eu nunca precisei porque sempre pratiquei esportes e tive boa saúde. Eu não fumo, não bebo. Eu nunca quis ter plano de saúde, mas como para a família toda ficava mais barato, eu fiz. Um mês depois tive esse problema no coração. Mais uma vez, os anjos me disseram amém. Tudo deu certo. Eu vi isso como um fato de muita sorte e não como um problema. Ganhei o direito de ter minha vida novamente, de ter minha filha, viver com minha mulher, meus amigos e meu trabalho, estar aqui e tô curtindo pra caramba!
JC - Atualmente você ainda está na TV ou só com a peça?
Raul Gazolla - Fora o "Vale a Pena Ver de Novo" com a novela o "Clone" (risos), não. Vou fazer uma outra novela e continuo só com a peça.
JC - E você já tinha feito humor antes?
Raul Gazolla - Já sim. Eu fiz um espetáculo com o Nelson Freitas chamado "O Micofone". A gente viajou por cinco anos pelo Brasil e, na verdade, era um pouco de humor com crônicas, algumas piadas.
JC - Você está com quantos anos de carreira?
Raul Gazolla - Só um pouquinho, 32 anos.
JC - Estávamos falando de humor, quando você começou a escrever?
Raul Gazolla - Essa é a minha primeira peça. Na verdade, eu não posso dizer que eu escrevi porque estou reescrevendo a história da minha vida. Coisas do cotidiano, coisas que as pessoas falam de você na rua. Tiram fotografias, porque, por mais que você pensa que não, as pessoas te conhecem. E aí vem aquele amigo de infância: pô, não se lembra de mim? Sou o fulano de tal, que era modelo. Fizemos vestibular juntos. Eu penso: meu, eu fiz vestibular há 35 anos. Eu sei que mudei e quem me acompanhou na televisão acompanhou essa mudança. Mas o cara que era magrinho, que tinha 70 quilos e agora está com 208, careca, gordo e velho, é difícil. É uma loucura isso (risos). Eu vou falando disso na peça. Dos testes que fiz e não passei, dos que passei...
JC - Me fale mais deles...
Raul Gazolla - Eu fiz participação uma vez no clipe de um disco solo do Mick Jagger. Na peça, eu conto como foi o teste. Que eu não falava inglês muito bem, falava um pouquinho menos do que eu falo hoje. Então, continuo falando pouco (risos). Eu conto como foi falar com o diretor em inglês e ele olhando pra mim e eu olhando para ele pensando: caramba, o que esse maluco tá falando? E dizia yes, yes, oh yes. Acho que ele estava me contando alguma coisa e eu só dizia yes. Alguma coisa eu entendia. Se ele me perguntasse alguma coisa estava morto (risos).
JC - E você chegou a pensar em outra carreira?
Raul Gazolla - Eu estudei arquitetura, mas não terminei. Estudei arquitetura, queria ter trabalhado com educação física, mas fui ser ator (risos). Eu não entendi essa parada. Tudo a ver. Mas acontece que na minha época não tinham muitas opções para educação física. Hoje, esse profissional pode ser personal trainer especializado, existe a área de alimentação. São vários segmentos onde você pode se dar superbem.
JC - Me conte um pouco da sua filha Rani. Você disse que ela é a grande paixão da sua vida...
Raul Gazolla - Minha filha está com 8 anos e quando a mãe dela ficou grávida veio a primeira notícia de que seria um menino. Eu pensei: pô, um menino, que legal. Até os 18 anos eu sei o que ele vai fazer: esporte, instrumentos, estudar. Aí vem a notícia de que, na verdade, era uma menina. Eu disse: bom, até os 18 anos eu tô enrolado! Não tenho ideia do que eu vou fazer, vai ser uma loucura. E foi uma grande coisa que aconteceu na minha vida. Eu, por ser homem, e não ter sido pai antes, não sabia como era criar uma menina, mas achei aquilo genial. Para mim, era um brinquedo diferentasso! Sabia que tinha que tratar com muito carinho senão iria quebrar. Hoje, nós temos uma parceria. O neném, sendo menino ou menina, chora, faz cocô e mama. Eu ficava ali esperando uma reação. Se fazia cocô, eu pensava: oba, que legal, vou limpar. Adorava cuidar dela. Desde que ela nasceu, eu não a perdi mais de vista. Eu vi o nascimento dela e quando a vi senti muita emoção. Aí eu aprendi o que é o amor incondicional.
JC - E você nasceu no Rio de Janeiro? Me conte um pouco da cidade...
Raul Gazolla - O Rio melhorou muito depois que a polícia tomou os morros. Antes, o pessoal tinha medo de sair à noite e na volta cair em uma blitz falsa. Dá para perceber que aqui (Bauru) você tem uma qualidade de vida, por exemplo, que não tem em qualquer lugar. O ar é maravilhoso. Quando chegava aqui de avião achei a cidade linda...
JC - Você já tinha vindo a Bauru?
Raul Gazolla - Talvez, mas não que eu me lembre. É difícil falar porque a gente fica um ou dois dias, no máximo, em cada cidade e não dá tempo de conhecer. Mas acredito, que pelo que eu vi, que Bauru é uma cidade linda, boa de se viver e que está crescendo.
JC - E o público da peça?
Raul Gazolla - A classificação é 12 anos, mas eu digo que é do 8 aos 80 (risos). Se tem algum garoto na plateia eu digo: você entendeu a piada? Se ele disser que sim, eu digo: então explique ao mais velho (risos).
JC - Como você adquiriu a experiência que tem hoje?
Raul Gazolla - Fazer humor é muito difícil porque ele tem que ser dosado, na medida certa. E depende também de estado de espírito. Eu já fiz espetáculo para um público que rolou de rir e uma semana depois fiz outro espetáculo no mesmo local para outro público que não riu tanto. Mas o problema não era o público, era eu. Eu estava fazendo o espetáculo com mais seriedade.
? Serviço
O espetáculo "Pressão Alta" será hoje, às 21h30, no Santa Madalena. A casa fica na rua Antônio Alves, 31-54. Outras informações no telefone (14) 3234-1931. O ator também passará pela região: dia 1, sexta-feira, ele estará no Cube Marimbondo, em Lençóis Paulista; no dia 2, sábado, no Teatro Municipal de Botucatu; e, no dia 3, domingo, no Teatro Municipal Zita de Marchi, em Barra Bonita.