08 de julho de 2026
Geral

Pré-pronto muda perfil da construção

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 5 min

Com o aquecimento da construção civil, é comum encontrar pessoas reclamando da escassez de mão de obra qualificada no setor. E, pela antiga lei de oferta e procura, quando esses profissionais são encontrados, geralmente o custo é alto. É justamente para driblar essa dificuldade que a construção civil emprega ? e aceita - cada vez mais materiais pré-engenhados. Segundo estimativas de especialistas no setor, essa é uma tendência crescente e, ao utilizar determinadas técnicas como a compra de armações prontas e casas pré-moldadas, mais de 50% da mão de obra pode ser cortada.

É o que aponta o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e do Mobiliário de Bauru, Cláudio da Silva Gomes. De acordo com ele, o uso de armações e estruturas já prontas diminui em cerca de metade a mão de obra que seria utilizada nos canteiros de construção.

"É uma tendência que cresce bastante, principalmente em obras de grande porte. A pessoa traz o projeto, a empresa já faz a armação indicada e entrega já pronta. É só o trabalho de colocar em pé", explica.

Antes, o aço era levado ao canteiro e lá era cortado e montado. As empresas de armações já fazem esse trabalho.

O arquiteto Daniel Belloni Zucaro é proprietário de uma dessas empresas. Ele explica que já são 22 prédios construídos dessa maneira em Bauru e mais quatro em andamento.

"Os construtores enxergam a facilidade em fazer esse tipo de serviço. Além de reduzir a mão de obra, existe toda a agilidade no processo. Fazemos toda a estrutura do pilar, viga, baldrame e depois entregamos tudo pronto. A mão de obra necessária é mínima quando já se tem essas armações", aponta.

Daniel Zucaro afirma que a utilização não depende do tamanho da obra, sendo que várias residências em Bauru já são feitas com essas armações compradas "sob medida".

Justamente pelo aquecimento do setor, o presidente do sindicato, Cláudio da Silva Gomes, não acredita que o fato possa gerar desemprego e aponta que o custo acaba valendo a pena. "Comprar uma armação já pronta é mais caro. Entretanto, pode-se diminuir cerca de 50% o uso da mão de obra. Em relação aos custos, isso se torna compensador", completa.


Pré-moldadas


Outro exemplo de técnicas utilizadas para suprir a carência de mão de obra são as casas pré-moldadas. O engenheiro de uma construtora especializada nesse tipo de edificações, Francisco Parreira, explica que o sistema é semelhante a montar "Lego".

"Ao invés de colocar tijolo por tijolo no canteiro de obras, o construtor compra a placa de alvenaria já pronta. Essas placas são levadas ao canteiro de obras e montadas como se fosse Lego. O trabalho é muito mais prático", conta.

O sistema construtivo já foi empregado em várias cidades da região, alguns condomínios em Bauru e, segundo o engenheiro, pode substituir a mão de obra em cerca de 60% em uma construção. Todavia, ele explica que compensa somente em obras com grande número de unidades, como o de condomínios.

"Fazemos a forma que será utilizada naquelas casas que irão ter todas o mesmo tamanho. Então, utilizamos a mesma forma em várias unidades. Não é interessante pré-moldar uma residência individual. Com essas placas já prontas, além de reduzir a mão de obra, compensa também pela agilidade. Podemos levantar uma casa em um dia", completa o engenheiro.

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Outras tecnologias


E não é somente a "era do pré-engenhado" que começa a mudar o perfil da construção civil. Pelo mesmo motivo de carência e valorização da mão de obra, outras tendências começam a aparecer nos canteiros.

"Vemos que existem muitas máquinas de reboco e de chapisco que diminuem a utilização do número de trabalhadores. Já existem até mesmo máquinas laser para nivelar o piso e outras que fazem a amarração das armações", informa o diretor da Regional de Bauru SindusCon, Renato Parreira.

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Para Sinduscon, material pré-pronto já é tendência e não para de crescer


O diretor da Regional de Bauru do Sindicato da Indústria da Construção Civil (SindusCon-SP), Renato Parreira, afirma que a utilização desses materiais pré-prontos é uma tendência, uma vez que o ritmo da construção civil não para de crescer.

"É difícil acompanhar o setor. No ano passado, a construção cresceu 11%. Neste ano, a expectativa é de que seja 6%. Assim, é preciso buscar técnicas para acompanhar esse crescimento", informa.

O diretor do sindicato ainda explica que essas técnicas não são novidades, entretanto, o uso cresce agora exatamente por conta do encarecimento da mão de obra. "Há 20 anos não havia esse interesse por essas técnicas, porque contratar um profissional na construção não era algo caro. Diferente do que ocorre hoje".

Outra vertente na mudança desse perfil é justamente a aceitação das pessoas nesse tipo de material, o que ocorre já há algum tempo em outros países. "Nos Estados Unidos, as casas são quase todas pré-moldadas. Isso ocorre justamente porque não tem mão de obra para a construção civil. É o que o Brasil começa a sentir agora".

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Técnicas podem reduzir o desperdício


Além da redução de mão de obra e do menor tempo de construção, os especialistas explicam que produtos pré-engenhados também reduzem o desperdício de materiais.

"Em relação à compra de armações já prontas, ocorre uma grande economia e evita em muito o desperdício. O material que vem para a obra é exatamente sob medida em relação ao que será utilizado no projeto. Quando a armação é cortada na obra, sempre sobra um pouco", explica o diretor da Regional de Bauru do Sindicato da Indústria da Construção Civil (SindusCon-SP), Renato Parreira.

O mesmo ocorre na confecção das casas pré-moldadas. "Calculamos que seja evitado um desperdício em cerca de 15%. Quando uma parede é erguida na obra, além de não saber o número exato de tijolos, muito se quebra e desperdício acaba sendo grande. Nas casas pré-moldadas, o painel já é levado pronto e evita esse problema", complementa o engenheiro Francisco Parreira.