São Paulo - A Copa do Mundo de 2014 no Brasil será a mais cara da história, com gastos da ordem de US$ 40 bilhões, segundo levantamento da Consultoria Legislativa do Senado. Os números foram considerados sem "nenhum fundamento" pelo ministro do Esporte, Orlando Silva, ontem. "O nosso País, dono de vários recordes no futebol mundial, já tem mais um: o da Copa mais cara de todos os tempos", afirmou o consultor legislativo do Senado para as áreas de Turismo e Esporte, Alexandre Guimarães, em artigo.
Nesta conta estão incluídos R$ 33 bilhões anunciados pela presidente Dilma Rousseff para obras de infraestrutura da Copa - incluindo segurança e saúde -, R$ 7 bilhões que devem ser gastos em estádios pelo setor público e os R$ 20 bilhões que o BNDES disponibilizará para financiamento do trem-bala Rio de Janeiro-São Paulo.
Somados, esses valores chegariam a US$ 38 bilhões pela cotação do dólar na tarde de ontem. O trem-bala, no entanto, não ficará pronto para a Copa do Mundo de 2014 e sua operação durante a Olimpíada de 2016 no Rio não é uma exigência colocada em edital para a empresa que vencer a licitação.
Mesmo assim, os valores a serem gastos pelo Brasil ainda ficariam bastante acima dos US$ 8 bilhões que, segundo Guimarães, a África do Sul desembolsou para realizar o evento, até hoje o mais caro da história, entre estádios e obras de infraestrutura. "Mesmo o número específico para a Copa (excluindo gastos com infraestrutura), vai passar fácil a África do Sul, que foi a mais cara até agora", disse o consultor à reportagem por telefone.
O ministro Orlando Silva contestou o levantamento da Consultoria Legislativa do Senado e afirmou que o número de US$ 40 bilhões apontado por Guimarães é "cabalístico" e sem "nenhum fundamento". "A Copa do Mundo é um estímulo, é um catalisador, um mecanismo que faz com que o país antecipe investimentos que, mais cedo ou mais tarde, teria que fazer para melhorar as suas cidades", disse Silva durante o programa "Bom Dia, Ministro", da NBR.
Para ele, "não é justo colocar na conta da Copa" esses investimentos em áreas que não terão ligação direta com o evento. "O que tem que se colocar na conta da Copa são os investimentos em estádios, os investimentos em questões operacionais para a realização do Mundial", defendeu.
Para Guimarães, da Consultoria Legislativa do Senado, no entanto, foi o governo que colocou todos os investimentos na mesma rubrica da Copa do Mundo. A consultoria é encarregada de produzir estudos e notas técnicas de esclarecimento sobre questões de relevância para o Congresso.
Para ele, um exemplo disso é a aprovação na Câmara dos Deputados do Regime Diferenciado de Contratações (RDC) para obras do Mundial e dos Jogos Olímpicos de 2016. "Por que se aprovou o RDC? Para a Copa", disse Guimarães.