08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Liberdade de ideias


| Tempo de leitura: 2 min


Depois de muita discussão e polêmica, foi liberada pelo Supremo Tribunal Federal a realização da famosa marcha da maconha. O evento que foi fortemente repreendido em sua primeira manifestação, agora possui o aval jurídico para acontecer e assim expor o desejo de seus participantes:a legalização do uso da droga.

Considerei a decisão do STF sensata e democrática, mas não por ser a favor da legalização da maconha, até porque abomino qualquer tipo de droga, e sim pelo fato do governo ter sido coerente a par de um dos principais pilares da nossa constituição, a liberdade de expressão.

A marcha pró-legalização estava sendo tratada como uma forma de apologia ao crime, já que no Brasil drogas não são legalizadas. Um erro crasso que foi rapidamente corrigido por unanimidade pelos ministros, que até colocaram a polícia à disposição para garantir a realização do evento. Celso Melo afirmou que a segurança pública não tem o direito de intervir em manifestações pacíficas, repreendendo de maneira clara os abusos que foram cometidos anteriormente.

Contudo, gostaria de ressaltar o que acontecimentos como esse colocam em evidência e que poucos na sociedade conseguem enxergar. A mobilização em prol de uma causa, consideremos ela oportuna ou não, acaba trazendo à tona a força que as ideias ainda mantêm na atualidade. Formada majoritariamente por jovens, esse tipo de manifestação assusta as autoridades não somente por des-criminalizar uma droga e sim por demonstrar o caráter transformador e mobilizador que as pessoas ainda nutrem. Sentimentos que muitos consideravam esquecidos e estagnados em épocas revolucionárias, como os anos sessenta.

Faz-se perceber, então, que seja a favor da maconha, do aborto ou da união homossexual, o que realmente importa é a liberdade para se discutir acerca desses temas. O governo não é obrigado a concordar e muito menos compactuar com ideias subversivas, porém também não possui o direito de reprimi-las ou banalizá-las. Não estamos mais no regime militar e tudo está sujeito a mudanças, inclusive a legislação penal, para a tristeza dos regimes autoritários.


Mariana Coelho Nascimento