09 de julho de 2026
Internacional

Filha de Gaddafi admite negociação


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Trípoli - A Líbia está envolvida em negociações diretas e indiretas com rebeldes que tentam derrubar Muammar Gaddafi, disse a filha do líder líbio, embora a oposição sediada em Benghazi descarte novos contatos com Trípoli.

Aisha Gaddafi também disse, em entrevista transmitida ontem pela emissora de TV France 2, que seu pai - contra quem o Tribunal Penal Internacional emitiu nesta semana um mandado de prisão - é um guia do povo líbio e não tem razão para deixar o país.

"Há negociações diretas e indiretas, e devemos deixar de derramar o sangue líbio", afirmou ela por meio de um intérprete em um hotel de Trípoli. "E para isso estamos preparados para nos aliar com o diabo, ou seja, com os rebeldes armados," disse Aisha, uma advogada de 35 anos. Não ficou claro quando a entrevista foi gravada.

Os rebeldes disseram na semana passada que tiveram contatos com o governo, mas que o mandado internacional de prisão contra Gaddafi e contra um filho dele inviabilizaria novos contatos.

Apesar da rebelião e dos bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) iniciados há 90 dias, Gaddafi se recusa a deixar o poder, que ocupa há 41 anos. "Essa palavra partida, partida, partida. O que eu acho estranho é para onde vocês querem que ele vá? Este é o país dele, a terra dele, a gente dele", afirmou Aisha.

Intervenção


O presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, inaugurou ontem a cúpula da União Africana com um alerta contra as intervenções estrangeiras no continente, dizendo que as iniciativas para defender os direitos humanos só têm agravado os problemas.

Em discurso na sessão de abertura do evento, o atual presidente da União Africana disse que a entidade sofre com a falta de verbas, e precisa encontrar meios de se financiar para evitar que estrangeiros intervenham e ganhem influência. "Quem paga dá as ordens", afirmou.

Aparentemente, a crítica de Obiang à intervenção externa foi uma alusão à atual campanha de bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contra o governo da Líbia, uma crise que deve dominar os dois dias da cúpula.

Analistas dizem que Obiang, amplamente criticado pela situação dos direitos humanos na Guiné Equatorial, estaria ávido por usar o petróleo do seu país para dar mais financiamento à UA, suprindo a verba que costumava vir da Líbia.

Mas pelo menos uma intervenção de fora da África foi bem acolhida no primeiro dia do evento. Como convidado de honra da UA e representante oficial do Brasil, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o continente continuará sendo uma prioridade no governo de Dilma Rousseff.