Em 1962, Jânio Quadros era candidato ao governo de São Paulo, tendo Faria Lima como vice, contra Adhemar de Barros. Laudo Natel corria por fora, pelo PR. No último mês da campanha estava clara a vitória de Jânio.
Amador Aguiar, dono do Bradesco, pediu para Jânio colocar Laudo Natel como seu vice.
Na ponta da mesa, pequenininho, baixinho, calado, Laudo não tugia nem mugia.
Jânio perguntou-lhe:
- Doutor Laudo, o senhor já foi candidato a alguma coisa?
- Não, presidente. Não gosto de política, foi seu Amador quem mandou.
- Mas de futebol o senhor gosta. É presidente do São Paulo.
- Também não gostava. Foi seu Amador quem mandou. Abaixo de Deus, foi o pai que conheci.
O senhor não imagina o homem bom que ele é!
O acordo não foi feito. Jânio perdeu por 123 mil votos.
E Laudo Natel (quer dizer, seu Amador, o pai) ganhou...
Do livro Folclore Político, de Sebastião Nery