08 de julho de 2026
Geral

Estratégia pode definir emprego via web

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 6 min

Os sites específicos para cadastro de currículos online e as mídias sociais tornaram-se ferramentas obrigatórias para quem busca um lugar ao sol no cada vez mais competitivo mercado de trabalho. Contudo, não basta apenas dominar com naturalidade as poderosas ferramentas eletrônicas se o principal elemento na corrida pelo emprego ? gente ? for minimizado pelo próprio candidato.

Por isso, tanto para ver quanto para ser visto por possíveis futuros empregadores na rede, mais do que simplesmente adicionar contatos a esmo, sem qualquer tipo de critério, é necessária certa dose de estratégia, principalmente nas relações pessoais e apresentação de currículo, seja nos sites específicos de cadastramento do histórico profissional quanto nas mídias sociais como twitter, facebook ou linkedIn (específico para contatos corporativos).

Presidente da Associação Centro-Oeste Paulista de Agências Digitais (Acopadi), o especialista em mídias sociais, Paulo Milreu, observa que, acima de tudo, comportamento e boas relações ainda fazem a diferença no recrutamento, independentemente à área de atuação das empresas. "As empresas querem ver o comportamento das pessoas nas redes sociais. Lá, consegue-se entender quem elas realmente são", pontua.

De acordo com o presidente da Acopadi, no Brasil, o processo de contratação via observação de perfis em redes sociais já está acelerado. Segundo ele, estima-se que em cada dez corporações, oito já se preocupem em avaliar candidatos através de sites de relacionamento. "Elas (contratantes) querem saber quais informações são colocadas no perfil, de quais comunidades o candidato participa. Será que essa pessoa integra grupos como ?odeio a segunda feira ou detesto meu chefe??, supõe o especialista.

A segunda questão, enumera Paulo, é o que o usuário escreve na Internet. "Será que é postado algo de conteúdo, a pessoa escreve algo relevante, participa de algo que é importante?", questiona. "As próprias fotos também dizem muito", acentua. "Imagina quem coloca fotos bêbado na balada no facebook", exemplifica. "Por mais que se diga que estava num momento de diversão. Ali (perfil) é o retrato de como você é e se comporta. Será que essa pessoa vai chegar na sexta-feira de manhã pronta para trabalhar", questiona.

Mas isso não significa que os perfis devam ser sisudos ou que haja proibição de se manifestar sobre assuntos alheios ao trabalho. O ideal, aconselha, é dosar a utilização da ferramenta para fins profissionais com certa dose de leveza, no entanto, frisa, com inteligência e discrição.

"Se a pessoa expressar algo inteligente, não tem problema. A empresa quer alguém com boas atitudes, valores e princípios alinhados", observa. "É possível dosar a partir do momento em que se não extrapole aquilo que a própria sociedade vai dizer que não é adequado", acrescenta. "Muita coisa se torna pública sem ter de ser. Não é porque existem ferramentas para tanto que deveriam ser publicadas", diferencia.


Mão dupla

Quem recruta também precisa usar estratégias para garimpar os profissionais que melhor atendam aos perfis desejados para cada função.

Diretor de consultoria em Bauru da multinacional Arca Solutions, empresa do ramo de desenvolvimento de softwares, Fernando Hideo confirma que, além dos currículos pré-aprovados por centros de recrutamento, bem como portfólios e históricos profissionais enviados através do próprio site da corporação, não são raras as pesquisas em perfis de candidatos nas mídias sociais.

"Qualquer manifestação, por mais descontraída ou não, na Internet se torna pública", conceitua. "Basta uma simples busca no Google que se encontra os perfis da pessoa. Caso ela fale mal de alguém no Twitter, por exemplo, ainda mais de um colega, é sinal de que esse profissional possa ser nocivo no ambiente de trabalho", considera.

Usuários que demonstram personalidade ou pensamentos negativos nos comentários ou então opiniões vazias, triviais ao extremo, como "estou com muito sono hoje", também não são vistos com bons olhos no meio corporativo. "A grande chave ao postar comentários ou imagens é o bom senso", elege o diretor da empresa, atuante em 55 países.


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Virtudes são evidenciadas, assim como falhas


As mídias sociais, aponta Paulo Milreu, caminham paralelamente aos sites específicos de encaminhamento curricular. "É importante que ambos estejam atrelados", observa. Potencializar os contatos, especificamente os que tenham afinidade ou estejam dentro das empresas vislumbradas pelo candidato, através dos canais de relacionamento também é fundamental.

Ou seja, por mais que existam ferramentas que ponham o currículo "embaixo da porta da sala do recrutador", trabalho ainda se obtém por intermédio das pessoas. São elas que abrem caminhos, não o computador. E especialistas garantem: caso dois candidatos tenham as mesmas qualificações, o fiel da balança são as indicações online.

Contudo, mesmo com o "Q.I!" virtual não segura as pontas se o contratado não corresponder, efetivamente, ao anunciado na rede. Por isso, as ferramentas devem evidenciar a realidade. Qualidades fantasiadas também são potencializadas quando a pessoa não está preparada para o cargo que almeja ou conseguiu, mas, pela falta de capacitação, não consegue manter.

"Há o risco dos erros tornarem-se mil vezes mais visíveis", comenta a auxiliar de finanças Natália Santos. Aos 20 anos e estudante do curso de Administração da Universidade Sagrado Coração (USC), ela já conseguiu inserção no mercado após cadastrar o currículo em site especializado de encaminhamento. "É preciso também ter muito cuidado com o que se fala por aí nas redes sociais. As empresas avaliam muito isso", testemunha a jovem, que teve o perfil observado pelo empregador antes de formalizada a contratação. "Eu nem sabia que meu perfil foi avaliado. Ainda bem que tomei cuidado. Aliás, se soubesse, teria me precavido ainda mais", admite.

Por outro lado, mesmo em meio a esse universo interligado de recrutadores, que muitas vezes observam sem mesmo que o candidato saiba, e avaliados, a formação do candidato fala mais. No caso da também universitária Giovana Bueno, 24, analista de marketing e mídia social, apesar do trabalho diretamente ligado às ferramentas modernas, a contração ocorreu à moda antiga, com um contato nos corredores da faculdade. Contudo, o diferencial, explica, foi um quesito que jamais sairá de moda: capacitação. "Consegui a vaga por falar Inglês", atribui.

No quesito preparo, já dentro dos moldes modernos de recrutamento, outro ponto importante é a objetividade e o foco do candidato. Marcelo Abrileri, especialista em recolocação profissional da Curriculum (www.curriculum.com.br), site de empregos com mais de 100 mil empresas cadastradas, aponta que um dos pontos menos levados em consideração pelos candidatos é justamente no campo "Objetivo Profissional". "As companhias buscam candidatos por nomes diferentes, que, muitas vezes, dizem respeito à mesma função. Dessa forma, as chances de aparecer nessas buscas aumentam. Por exemplo, se você é uma Secretária de Diretoria Bilíngue, coloque também Secretaria Executiva Bilíngue, Secretária Executiva, Secretária Bilíngue, Secretária de Diretoria e similares", ensina o especialista, que confirma.

Nos sites específicos, as empresas vasculham perfis mesmo sem que a pessoa se candidate à vaga. "Se possuir um currículo completo, com todos os dados profissionais, informações de sua carreira, experiências de trabalho, habilidades, cursos e assim por diante, a probabilidade de constar nos resultados de buscas aumenta", incentiva. "Os dados atualizados farão também com que o currículo apareça na frente dos demais nos resultados das pesquisas", completa.