08 de julho de 2026
Política

Purini critica comando da Emdurb

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

"O prefeito não tem 10% da Emdurb". Essa frase foi dita na tribuna da Câmara Municipal pelo próprio líder do governo, Renato Purini (PMDB), ao fim da sessão extraordinária de ontem. O vereador estava indignado com o fato de a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru estar sob o comando de supostos aliados de Rodrigo Agostinho (PMDB), apesar de ser presidida por Nico Mondelli. "Às vezes a gente pensa que está dormindo com o amigo, mas está com o inimigo", conotou Purini.

O líder demonstrou irritação após conversa com Fabiano Mariano (PDT) durante a sessão legislativa, na qual soube que teria sido apontado como responsável por influenciar a demissão de dois funcionários de carreira da autarquia municipal, no mês de março desse ano. "Na época, quando fui informado, imediatamente perguntei se haviam conversado com o prefeito para tomar a decisão. Mas hoje o Mariano me contou que informaram a ele que tinha dedo meu nessa história", alegou Purini.

Em seu desabafo público, Renato, que foi presidente da autarquia na gestão Tuga Angerami, lamentou por se sentir sem o direito de fazer contestações à Emdurb e, de imediato, dúvidas serem levantadas sobre suas reais intenções. O líder do governo disse que não vai aceitar que sugiram o envolvimento dele com as demissões e vai exigir retratação por parte do órgão, ou então, que a informação seja desmentida. "Eu jamais tomaria uma atitude para prejudicar alguém politicamente e não vou aceitar que pessoas de dentro do governo tentem me prejudicar", bradou.

Os dois funcionários demitidos trabalhavam há 14 anos na empresa pública e, segundo o vereador Fabiano, são seus amigos há cerca de 20 anos. "Eles foram mandados embora sem uma motivação justa. São funcionários discretos, pais de família. Na ocasião, fui cobrar do prefeito por uma questão de justiça, pois o argumento da Emdurb era de que eles haviam vazado informações sigilosas, o que, comprovadamente, não ocorreu. Então, foram apontadas outras justificativa. Dentre elas, a de que havia tido interferência do Renato", explicou Mariano.

Fabiano Mariano garante que, à época, não achou necessário comentar o ocorrido com o colega governista, mas, em uma conversa informal na tarde de ontem, acabou tocando no assunto.

O parlamentar, inclusive, apresentou documento solicitando informações ao chefe do Executivo sobre as duas demissões da Emdurb. O pedido foi feito com base no artigo 18 da Lei Orgânica Municipal (LOM), pelo qual a prefeitura tem o prazo de 15 dias para responder.


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Nico Mondelli: "Mariano tem que explicar..."


Nico Mondelli, presidente da Emdurb, recebeu com surpresa a notícia sobre a polêmica surgida na tarde de ontem, na Câmara Municipal, e negou qualquer envolvimento de Renato Purini no episódio. "Ele deixou a presidência da Emdurb há muito tempo e o nome dele não foi citado. Nesse caso, o Mariano tem que explicar porque, quatro meses depois, esse assunto voltou à tona", afirmou Mondelli.

Segundo Nico, a demissão ? sem justa causa ? partiu da Diretoria Administrativa e da Diretoria de Trânsito da autarquia, sob seu aval. "Em uma avaliação, foi decidido que essa medida era a melhor a ser tomada. A Emdurb é uma empresa pública e tem o direito de fazer isso quando não está satisfeita com o desempenho dos seus funcionários", argumentou.

Informações obtidas pela reportagem dão conta de que um dos funcionários havia ga-rantido, na Justiça, o direito de voltar a trabalhar na autarquia municipal, mas a Emdurb recorreu da decisão e o caso ainda está sendo julgado.