Um aposentado de 61 anos teve prisão temporária por 30 dias decretada pela Justiça de Bauru ontem. Ele é suspeito de estuprar uma menina de 11 anos, na Vila Quaggio. A criança, que mora com uma tia, relatou que era vítima de abusos por parte do suspeito há três meses. Orlando Ferreira de Campos foi preso por estupro de vulnerável e seria encaminhado à Cadeia de Barra Bonita. Ele nega as acusações.
De acordo com a delegada Priscila Bianchi de Assunção Alferes, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), a menina vive com uma tia, uma vez que o pai teria deixado a família e a mãe a maltratava. E foi a tia quem desconfiou que a criança estava sendo vítima de algum tipo de abuso, no mês passado. "A menina chegava em casa com doces e dinheiro. Ela perguntava e a criança respondia que era uma menina da escola quem dava", explica a delegada.
Ainda segundo Priscila, a tia da garota foi até o colégio para checar a informação. "A diretora falou que fazia tempo que ela estava indo (à escola) com dinheiro, comprando coisas na cantina, mas negou que alguém estivesse dando dinheiro para ela", pontua. A menina foi chamada e, diante da tia e da diretora, acabou relatando os abusos. "Ela contou que estava saindo com um homem que dava o dinheiro para ela, para abusar sexualmente dela", conta a delegada.
Assim, a tia procurou a DDM no dia 20 de junho, quando foi iniciada a investigação sobre o caso. A menina informou, então, as características físicas e o primeiro nome do suspeito. "Ela não sabia a autoria, quem era. Então deu sinais de quem era, como características físicas, o bairro onde morava, e através de investigação da DDM conseguimos levantar pessoa com as mesmas características", informa.
O suspeito foi levado à unidade especializada, onde foi fotografado. A vítima foi chamada e reconheceu o aposentado pela foto. "Ela descreveu exatamente como ele é, alto, cabelo grisalho, e o primeiro nome ela sabia", conta Priscila. A delegada ainda relata que o suspeito rodeava a escola onde a criança estuda. De acordo com ela, inicialmente o suspeito mandava beijos e em seguida passou a oferecer doces e dinheiro.
Segundo Priscila, quando o suspeito passou a assediar a menina, a pegava com seu carro próximo à escola e mais tarde a deixava no mesmo lugar. De acordo com a delegada, a menina informou que o suspeito pedia que ela abaixasse as calças e passava a mão no seu órgão genital. Ele também teria se masturbado na frente da criança. No entanto, a vítima negou que houve penetração. Segundo Priscila, a DDM solicitou a realização de exame pericial, mas o resultado ainda não foi divulgado.
Dessa forma, com base no reconhecimento e declarações da vítima, foi pedida a prisão temporária de Campos, que foi concedida pela Justiça por 30 dias, uma vez que se trata de crime hediondo. A delegada adianta que a DDM continua as investigações para averiguar se há outras vítimas.
De acordo com a nova lei sobre crimes sexuais, de 2009, é considerado estupro de vulnerável ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menores de 14 anos. Caso seja condenado, o aposentado poderá cumprir pena de oito a 15 anos de reclusão.