Caracas - Às 17h41 de ontem em Caracas (19h11 no horário de Brasília), o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, apareceu na sacada do palácio presidencial Miraflores. De uniforme militar, saudou a multidão que o esperava. Saudava, e parava para ouvir os gritos de apoio. Então, puxou o hino nacional.
A cena, transmitida pela TV, marca a reaparição pública de Chávez, um mês após deixar o país e dias depois de revelar que tem câncer. Ontem, o vice-presidente, Elías Jaua, anunciou que Chávez recomporá nesta semana seu gabinete, para "enfrentar a nova etapa".
No discurso à população, sem revelar detalhes da doença, o presidente disse que "começou a vencer a batalha". Considerou um milagre sua recuperação até agora. "Que ninguém entenda que minha presença aqui neste 4 de julho significa que vencemos a batalha. Estou certo de que vocês compreendem. Começamos a vencer a batalha contra esse mal que se incubou em meu corpo quem sabe por que razões."
Ele anunciou "uma segunda etapa (de combate à doença) que já começou e uma terceira". Mas "venceremos".
O presidente falou de pé. Após 20 minutos, sua voz começou a falhar. Bebeu água. Após meia hora, a multidão gritou: "Que descanse! Que descanse!". Chávez pediu dois minutos mais. Ficou dez.
A declaração pública de Chávez havia sido anunciada pela manhã, após seu desembarque surpresa no aeroporto de Maiquetía, a 40 quilômetros de Caracas.
O retorno de Cuba, onde ele foi operado no último dia 10 e estava em tratamento, foi exibido pela TV estatal. "Volto ao epicentro de Bolívar, e aqui é pura chama, vida pura!", afirmou.
O presidente cantou, citou poemas e memórias de juventude, em contraste com o mandatário taciturno que anunciou ter câncer na última quinta-feira.
A volta de Chávez cessa por ora o debate sobre o vazio de poder que se instalou enquanto governava de Havana, mas a incerteza persiste sobre seu estado de saúde.
Não há sinais de que o governo será claro sobre a doença e o tratamento de Chávez, apesar dos protestos da oposição por transparência.