É muito raro, e corajoso, um técnico de futebol apontar mais erros que virtudes em seu time. Mano Menezes fugiu à regra e listou uma série de problemas que ele detectou na Seleção no jogo de estreia na Copa América (0 a 0 com a Venezuela). Na antevéspera da partida contra o Paraguai, neste sábado, em Córdoba, o treinador deixou claro que não está distante da realidade e disse que o trabalho dos últimos dias ficou centrado em várias correções.
Mano Menezes apontou seis falhas coletivas, técnicas ou táticas que tiveram influência direta no fiasco do Brasil logo na primeira rodada da Copa América, entre as quais a lentidão no meio de campo, falta de tranquilidade e de objetividade nas finalizações e a ocupação das laterais para "jogadas óbvias".
Após três dias de treinos em Campana, que se seguiram ao empate com a Venezuela, Mano Menezes acredita que o rendimento do time contra o Paraguai será bem superior. Isso, na avaliação dele, também está associado ao tradicional esquema de jogo dos rivais - que buscam a vitória com ímpeto o tempo todo.
Durante entrevista no centro de convenções do Hotel Sofitel, local da concentração da equipe na Argentina, nesta quinta-feira, Mano Menezes deu sinais de irritação com algumas perguntas. Quando indagado sobre a possibilidade de elaborar outra lista, com os aspectos positivos que observara na Seleção na estreia, ele foi mais econômico nas palavras e se resumiu a dizer que gostou dos 30 minutos iniciais, período em que "o Brasil pressionou o adversário e criou várias chances de fazer o gol".
Pouco antes, Mano Menezes se enganou ao falar sobre a tolerância que se deve ter com resultados que não condizem com a história do futebol brasileiro. "O meu limite é o mesmo dos outros técnicos. Os últimos estrearam na Copa América com empate e derrota. Este é o meu limite". Na verdade, o primeiro jogo do Brasil na edição do torneio de 2004, no Peru, terminou com vitória do time dirigido por Carlos Alberto Parreira por 1 a 0 sobre o Chile. Já em 2007, com Dunga, a Seleção começou a Copa America, disputada na Venezuela, perdendo por 2 a 0 para o México.
O técnico voltou a defender o processo de renovação da equipe, iniciado logo após o Mundial da África do Sul, no ano passado. Enfatizou que o torcedor vai precisar de paciência. "Nosso foco é 2014". Ele reiterou que a comissão técnica sabia que a Copa América seria a etapa com mais dificuldades até o Mundial no País. "Não se cria nada por decreto. Você vai construindo aos poucos toda a confiança de que se precisa, é impossível construí-la em menos de um ano com uma renovação tão significativa".