11 de julho de 2026
Economia & Negócios

13 mil dívidas são menores que R$ 50

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

As vendas do comércio de Bauru cresceram 7% na comparação entre o primeiro semestre de 2010 com o mesmo período deste ano. No entanto, a inadimplência continua grande na cidade. De acordo com dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), 12.415 pessoas tiveram seus nomes inscritos na temida lista. Atualmente, 39.493 consumidores possuem restrição de crédito na cidade e são responsáveis por 62 mil dívidas. Do total de dívidas inscritas, 13.098 são de até R$ 50,00. Por analogia, pode-se dizer que aproximadamente 7 mil pessoas estão com o nome no cadastro do SPC por dever até R$ 50,00.

De janeiro a junho do ano passado, 13.056 pessoas deixaram de pagar suas contas e tiveram o nome inserido no serviço. No mesmo período deste ano foram 12.415 novas inclusões.

Por outro lado, o número de exclusões também reduziu. Se no primeiro semestre do ano passado 8.026 pessoas conseguiram quitar seus compromissos, neste ano o número caiu 4,7%, com 7.642 pessoas a menos na lista do SPC.

Apesar do número de novos inadimplentes ter diminuído na conta geral deste ano, a quantidade de pessoas com problemas de crédito em Bauru é alta. Sérgio Motta, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), observa que o número de pessoas que saem da lista ainda é baixo. "A diferença de um ano para outro é muito pequena. O comércio todo tem tomado prejuízo", pondera.

39 mil pessoas


De acordo com o SPC, atualmente mais de 39 mil pessoas estão com o nome restrito para as compras e o total de dívidas é de mais de 60 mil. Ou seja, muitas vezes um único consumidor pode responder por duas ou mais dívidas. A média de cada uma das 62 mil dívidas no cadastro é de R$ 375,59. Mas, se forem repartidas entre os cerca de 32 mil inadimplentes, chega-se a uma média de R$ 597,11 por devedor. "Atualmente, o prejuízo calculado pela inadimplência acumulado nos últimos cinco anos no comércio de Bauru supera os R$ 23 milhões", diz Motta.

O dirigente não se surpreende com o fato de muitas pessoas terem o nome inserido na restrição de crédito por dívidas de até R$ 50,00. Para ele, a falta de planejamento financeiro leva muitas pessoas à inadimplência. "Os prazos longos atrapalham a vida do consumidor, porque muitas vezes ele faz planejamento para alguns meses apenas. E a facilidade de se comprar a prazo hoje é um grande atrativo. É fácil trocar a TV por uma mais moderna em 24 vezes, sem entrada. Isso incentiva o consumidor, que atende. Ele acaba comprando em várias lojas e, ao somar no final do mês, as contas saem do orçamento e ele entra o SPC", observa.

Ele reitera que os consumidores que estão inadimplentes por dívidas pequenas não precisam se envergonhar de negociar o pagamento. "Há pessoas que têm nome restrito por conta de menos de R$ 100,00. Essa quantia pode ser acertada, dividida. Temos autorização de várias lojas para negociar. E é interesse do comércio em receber", pontua Sérgio Motta.

____________________

Planejamento


Para o economista Mauro Gallo, a facilidade de obtenção de crédito e a falta de planejamento financeiro levam o bauruense à inadimplência. "Muita gente faz financiamentos a prazos longuíssimos e não contam com alguns imprevistos, como desemprego ou a doença de alguém da família", observa. Ele se surpreendeu com o fato de 13 mil dívidas inscritas no SPC serem de até R$ 50,00.

O economista pondera que uma das hipóteses é que as pessoas possam priorizar dívidas grandes e acabar deixando a menor para trás. "E a inadimplência é muito ruim para o comércio. As financeiras acabam praticando juros altos, uma vez que precisam se precaver porque sabem que muitos não vão honrar as prestações", explica.