09 de julho de 2026
Geral

Uma festa que passa de pai para filhos

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Quem não está acostumado a frequentar o Churrasco da Vila Vicentina se impressiona com a mobilização popular que ele provoca. Mesmo antes de chegar ao local, a quantidade de carros estacionados nas ruas próximas, e outras nem tão próximas, dão a dica de que aquela não é uma festa qualquer. Entra ano e sai ano, a constatação é a mesma: o churrasco vicentino é um sucesso de crítica e público. E olha que lá se vão 60 edições, sem se tornar enfadonha.

Parte desse sucesso deve-se a uma tradição tão antiga quanto a festa. Tanto o trabalho voluntário, que torna o evento possível, quanto o comparecimento à confraternização obedecem a uma herança que tem passado de pais para filhos. São diferentes gerações que renovam a presença de público atrás e na frente dos balcões de vendas.

O churrasqueiro Ademar Teixeira, 78 anos, mais conhecido como "Dema", é um exemplo disso. Ele iniciou o trabalho voluntário no Churrasco da Vila Vicentina quando tinha 25 anos. Ele foi levado pelo pai, que já atuava há vários anos como voluntário na realização da festa.

Até os 30 anos, Ademar ajudava, mas não de uma forma tão ostensiva. A partir dessa idade, que foi quando se casou, decidiu abraçar o trabalho vicentino de "corpo e alma", como costuma dizer. No início, ele ajudava na "revoada", que era a visita de casa em casa entregando cartas pedindo doação para a Sociedade São Vicente de Paulo, e no outro dia passava recolhendo os envelopes.

Além desse trabalho, ele ajudava o pai na churrasqueira. Ele lembra que na época o churrasco era feito em uma vala cavada na terra. Não havia espeto individual. A carne era fatiada de uma peça maior e a labareda que saía do chão provocava muito calor ao redor, principalmente no espeto que prendia a carne. "Hoje é tudo mais fácil, a carne já vem pronta, desossada. É só temperar, pôr no espeto individual, assar e vender. Dá muito menos trabalho", comenta.

48 anos


Passados 48 anos desde que decidiu abraçar a causa vicentina, Ademar se orgulha de ter despertado nos três filhos a mesma vocação para o voluntariado, dando sequência e até ampliando a contribuição da família. Além dos filhos, tem a nora, genros e netos também envolvidos no trabalho há vários anos.

Enquanto a família de seo "Dema" atua atrás do balcão, fazendo e vendendo espetinhos de carne, a família da voluntária Sumara Simões Baptista dá sua contribuição do lado de fora, consumindo o que é oferecido na festa. Ontem, o ponto de encontro de irmãos, cunhados e sobrinhos foi a Vila Vicentina. Eles chegaram no início da tarde, conseguiram uma bela sombra debaixo de uma árvore e lá estenderam uma toalha, numa típica cena de família reunida para um descontraído piquenique no domingo à tarde.

André Luís Simões Baptista, filho de Sumara, conta que com o passar dos anos, a família foi aumentando e o espaço para acomodar todos no piquenique anual na Vila Vicentina teve de crescer também. Apesar de ser uma rotina a família reunida para o almoço de domingo, a reunião na Vila Vicentina é vista por eles como uma ocasião diferente, especial.

"Nós unimos o útil ao agradável. Reunimos a família e ainda contribuímos para a causa vicentina. Ajudar quem precisa é sempre bom", diz André Luís. Na opinião dele, a presença das crianças na festa é especialmente importante porque ajuda a tornar aquilo parte da vida delas e a passar o mesmo sentimento para as gerações vindouras. E, assim, manter viva a chama que aquece o coração vicentino e, por que não, também as churrasqueiras que preparam o tão tradicional e saboroso Churrasco da Vila Vicentina.