10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Investimento em agronegócio sobe 88%

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 5 min

O Banco Central (BC) divulgou na última semana dados sobre o volume de financiamento de todas as agências bancárias de Bauru, concedidos em abril. Os dados revelam que os financiamentos para a produção rural e no setor imobiliário tiveram os maiores resultados na comparação com o mesmo período do ano passado.

Apesar de a agroindústria ter apresentado o crescimento mais acentuado, o presidente do Sindicato Rural de Bauru e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), Maurício Lima Verde, aponta que o agronegócio continua muito acanhado na cidade.

As mais de 50 agências bancárias de Bauru distribuíram, em abril de 2010, o total de R$ 41.748.592,00 para a agroindústria na cidade. No mesmo mês deste ano, as linhas de crédito financiaram 88% a mais, totalizando o montante de R$ 78.693.505,00. No entanto, Lima Verde observa que o setor ainda é muito tímido na cidade.

"O poder público não conseguiu explorar essa área. Bauru poderia estar muito melhor se houvesse uma vontade dos governantes municipais em ir para agroindústria. É um dos poucos municípios do Brasil que se beneficia de uma logística estupenda e em que o setor de agroindústria não se desenvolveu", lamenta.

Ele lembra que o setor leva junto uma agricultura ?obrigatória?. "Aqui se planta o produto e manda para outras cidades. Todo o dinheiro que entra vai para outro município", pontua. Porém, para ele o crescimento apontado pelo Banco Central, é um começo. "Tenho a esperança de que um dia vai crescer. Por aqui temos produção de madeira, cana de açúcar, laranja, que poderiam trazer recursos, mas parece que a ideia é ficar quase na mediocridade da agricultura", critica.

O economista Reinaldo Cafeo pontua que, apesar de a cidade possuir classes abastadas, muita gente ainda precisa de linhas de financiamento para investir. "Tem sido muito comum o uso do crédito para que as pessoas possam alavancar empreendimentos, construir suas casas. Muitas vezes a renda é insuficiente e o prazo para guardar dinheiro para investir não é possível", observa Cafeo.

Investimento


Ele também pondera que o aumento de até 10% nos financiamentos gerais oferecidos pelos bancos bauruenses não é um aspecto negativo. "Não é um endividamento, pois não se trata de um empréstimo bancário, é uma forma de investimento, tem uma outra conotação", destaca. "É usar recursos a longo prazo para conseguir coisas agora com possibilidades vantajosas. É usar capital financeiro para alavancar negócios", explica.

"E o setor agrícola é uma área que tem subsídios. O governo ampliou linhas de crédito e ofereceu opções com taxas de juros que chegam até a 4,5% ao ano, uma taxa extremamente convidativa. Então, entre usar recursos próprios e recorrer a essas linhas, que muitas vezes possuem carência e longo prazo, o setor agrícola prefere esse tipo de recurso", avalia o economista.

Informações do Banco Central também mostram que o montante de financiamentos rurais subiu 69% em Bauru na comparação com abril de 2010, quando foram investidos um total de R$ 86.553.001,00, e do mesmo mês neste ano, com R$ 146.569.177,00.

"Houve uma elevação muito grande das commodities em geral, principalmente os possíveis de custeio como soja e milho. Na medida em que os preços se elevam, é preciso levar em conta o volume de recursos colocados à disposição, se ele é proporcional ao que foi solicitado e também a alteração de ano para ano em função do preço mínimo", explica Lima Verde.

O importante é verificar se esse investimento se reverteu em produção. "Saber a quantidade não só em reais, mas também quantas toneladas foram financiadas."

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Confiança


O presidente do Sindicato rural de Bauru e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), Maurício Lima Verde, ressalta que esse aumento de financiamento foi causado por um crescimento da confiança do setor financeiro na agricultura nacional. "O nível de inadimplência caiu quase a zero, pois os preços estavam e continuam muito bons. O próprio banco se sente mais à vontade de aplica o recurso na agricultura", observa.

Ele também lembra que as instituições financeiras são obrigados a aplicar no setor agrícola 15% de seus depósitos. "Se não forem aplicados, vai para o Banco Central e eles recebem juros zero. Ao passo que se aplicarem na agricultura, recebem juros de mais mais de 6%. Por isso houve uma abertura muito grande para financiamentos", explica. "Hoje tem recursos de sobra", destaca.

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Montante investido no mercado imobiliário sobe 50% em Bauru


Os dados do Banco Central (BC) também apontam que o montante investido no mercado imobiliário em abril deste ano foi 50% superior ao praticado no ano passado. Se naquele mês de 2010 foram financiados R$ 292.599.196,00, no mesmo mês deste ano o total saltou para R$ 439.066.550,00. O economista Reinaldo Cafeo pondera que, além desse setor estar em franca expansão na cidade, o valor médio dos imóveis aumentou, o que explicaria o crescimento dos valores financiados.

Ele também destaca uma mudança no hábito do brasileiro. "Temos em curso no País uma mobilidade social e as pessoas estão buscando trocar ou ampliar sua moradia. Tem também um outro fenômeno que, com a criminalidade, as pessoas estão buscando morar em apartamento, condomínios fechados", observa Cafeo.

O economista pontua que, em Bauru, dezenas de empreendimentos foram lançados recentemente, mas muitas pessoas que vão adquirir esses imóveis irão recorrer a linhas de crédito. "Além disso, as linhas de crédito oferecidas se diversificaram. Muitas são destinadas a famílias de baixa renda e isso reflete nesse aumento de financiamentos."

A expansão do programa federal "Minha Casa Minha Vida" também explica o crescimento, assim como a intensificação dos consórcios imobiliários. "Mas o principal fator é que o País está num momento econômico bom. O juros continuam altos, mas há um ambiente de otimismo", pondera. Porém, ele alerta que se a economia nacional desandar, a inadimplência pode chegar a esse público.

"Os riscos são inerentes a uma mudança do cenário econômico. E toda vez que se aumenta demasiadamente o crédito, não importa em que modalidade seja, cartão de crédito, cheque especial, débito consignado ou financiamento, o risco mais para frente é inadimplência. Não diria que pode haver algo como ocorreu nos Estados Unidos, mas se não tiver critério na geração de crédito, você pode liberar para pessoas que terão problemas em honrar esses compromissos."