09 de julho de 2026
Geral

Lotéricos reclamam de novo limite no pagamento de boleto

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Proprietários de casas lotéricas estão descontentes com a imposição da Caixa Econômica Federal (CEF) que reduziu o limite para pagamento de boletos nesses estabelecimentos. A mudança, que vigora desde o último dia 5, reduziu de R$ 1 mil para R$ 700,00 o valor máximo dos bloquetos de cobrança de outros bancos que poderão ser recebidos pelas casas. O limite de R$ 1 mil só continua valendo apenas para os recibos emitidos pela própria Caixa, desde que sejam pagos em dinheiro ou em cheque.

De acordo com o órgão, a alteração é uma estratégia que tem o objetivo de melhorar o atendimento e reduzir o volume de dinheiro que circula nas casas lotéricas por uma questão de segurança. Mesmo que a intenção seja tornar os estabelecimentos menos visados por assaltantes, os lotéricos afirmam que serão prejudicados pela medida.

Para o gerente Fernando de Souza, por mais que os boletos acima de R$ 700,00 representem apenas uma pequena parte do montante recebido pelas lotéricas, o faturamento deverá cair significativamente. "O mesmo cliente que vem para pagar uma prestação do carro ou da casa também traz outras contas menores. E esse cliente, agora, não vai no banco pagar o boleto maior e depois vir até a lotérica para pagar o resto. Vai quitar tudo no banco", reclama.

Gerente de outra casa, Marisa Amaral afirma que os lotéricos vêm sofrendo perdas sucessivas por conta de alterações implantadas contra a vontade dos proprietários. Em agosto do ano passado, por exemplo, deixaram de receber contas de energia elétrica quando o convênio da CPFL Energia com a Caixa foi encerrado.

Desta vez, o limite para recebimento de boletos foi reduzido mesmo com a inflação subindo acima das metas do governo. "Não acho que diminuir o valor para pagamento seja uma estratégia que vá melhorar a segurança das lotéricas. Concordaria se fosse para baixar o limite para depósito, que é de R$ 1 mil, ou aumentar para saque", frisa. Atualmente, o valor máximo para saque é de até R$ 1 mil para clientes da Caixa e de R$ 500,00 para os do Banco do Brasil.

Assim como os lotéricos, os clientes também demonstram descontentamento por conta da alteração, principalmente porque o horário de funcionamento das lotéricas é mais extenso que o do banco. "O banco fecha às 16h e a lotérica às 18h. Quem trabalha e não tem tempo para ir ao banco vai ser prejudicado. Não vejo motivo para essa mudança e acho que deveria permanecer do jeito que estava", argumenta a aposentada Ana Rita Sebastião, 60 anos.

Também usuária de lotéricas, a aposentada Marilda Mello Chermont, 56 anos, conta que sempre teve o hábito de quitar boletos com valor acima de R$ 700,00 nestes estabelecimentos. "Já paguei fatura de cartão de crédito de R$ 1 mil em lotérica. Geralmente, estou na rua fazendo outras coisas e aproveito para pagar minhas contas."

O Sindicato das Casas Lotéricas, Bingos, Jogos Eletrônicos, Locadoras e Empresas Comissionárias e Consignatárias do Estado de São Paulo (Sincoesp) e a Federação Brasileira das Empresas Lotéricas (Febralot) pretendem se reunir com representantes da Caixa em Brasília para solicitar a revogação da medida. "Vamos solicitar a revisão dessa posição para que o trabalho dos lotéricos não seja afetado. A Caixa precisa entender que esta medida será nociva à nossa categoria."

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Pagamentos


Embora o limite para pagamento de boletos de cobrança tenha sido rebaixado para R$ 700,00, as casas lotéricas continuam autorizadas a receber contas de água, luz e telefone no valor de até R$ 1 mil, contas pelo Pagamento Eletrônico Caixa (PEC) no mesmo valor, prestação habitacional com valor até R$ 2 mil e pagamento de passagens da TAM.