09 de julho de 2026
Nacional

Sem interessados, leilão do trem-bala fracassa


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Brasília - Diante da não apresentação de propostas para o leilão do trem-bala que ligará Campinas a São Paulo e Rio de Janeiro, o governo decidiu dividir a licitação em duas etapas, uma para a tecnologia e a operação do Trem de Alta Velocidade (TAV) e outra, posterior, para as obras de infraestrutura.

"Percebíamos que havia possibilidade de não haver propostas, mas achávamos que tínhamos os elementos para um processo disputado", afirmou ontem o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo. "São poucas empresa que detém a tecnologia da operação, mas tínhamos certeza que mercado era capaz de atender aos requisitos", acrescentou.

Segundo Figueiredo, o governo mantém o projeto do trem-bala, que seria "essencial para resolver o problema dos transportes na região". "Não existe solução mais adequada, não adianta ser contra o TAV e não apresentar solução viável", completou, ressaltando que o trem é um meio de transporte confortável, seguro, rápido, previsível e competitivo.

A primeira fase da licitação tratará apenas da tecnologia e da operação dos trens. "Temos confiança que vamos ter processo disputado nessa etapa", disse o diretor-geral.

Na segunda etapa, serão licitadas as obras de infraestrutura. "Quando licitarmos a infraestrutura termos um projeto detalhado, e o consórcio vencedor terá que licitar trechos das obras para empresas médias e grandes, nacionais e internacionais", afirmou Figueiredo.

Apesar da divisão do processo em duas etapas ainda sem data para acontecerem, o diretor da ANTT acredita que não haverá mais atrasos para o início das obras. "Os prazos não mudam e obras devem se iniciar no começo de 2013", garantiu.

Em comunicado emitido ontem, a empresa Alstom, detentora da tecnologia de trem-bala francesa, informou que continua interessada no projeto do trem de alta velocidade brasileiro.

De acordo com a nota, a Alstom não apresentou proposta no atual modelo por entender que "não era possível, nas condições atuais, apresentar uma oferta sólida sob os pontos de vista econômico e técnico, e assim decidiram não seguir adiante".

Segundo o comunicado, a empresa diz que, por o projeto do trem-bala no Brasil ser uma concessão, eram necessário estudos muito detalhados de engenharia e financiamento e que isso "necessita de uma tecnologia muito específica para garantir segurança e velocidade, com um custo razoável para os seus usuários e, ao mesmo tempo, garantindo retorno a fim de atrair investidores".

Diante da nova proposta do governo de dividir licitação em duas etapas, a empresa informou que "a Alstom e a SNCF (estatal francesa de operação ferroviária) reafirmam o interesse no projeto e continuarão discutindo-o com todas as partes interessadas, utilizando sua experiência, a fim de ajudar a trazer a tecnologia de trens de alta velocidade para o Brasil".