Dífícil ler... digerir e fazer de conta que não li. Também moro nas adjacências do Parque Vitória Régia e acho louvável o cuidado que a atual Administração Municipal vem destinando ao local no sentido de mantê-lo mais limpo, humanizando-o... devolvendo-o ao uso natural a qual foi criado: ser um local de lazer, expo-sições artísticas e manifestações que valorizem a cultura de nossa gente. Notem: valorizem... e não o contrário! Infelizmente, é o que ocorre quando a Secretaria de Cultura ou a de Planejamento expedem os alvarás e não fis-calizam o devido andamento dos eventos e nem disponibilizam mecanismos para tal, conforme determina a lei: horários, volume de som, dias seguidos, etc.
Por ali já ancoraram tropas de mulas que "detonaram" o gramado, bandas (ou bandos) de músicos (?) que dão verdadeira conotação de apologia à violência com seus palavrões, e outros absurdos que ficamos atordoados pelos abusos "autorizados" que ocorrem. Por que a Prefeitura autoriza e dispende gastos contratando toda aquela parafernália sonora que nos tira o sossego dentro de nossos lares com os exagerados decibéis?A acústica do palco fixo que lá existe não é boa? A arquibancada não comporta o público que em muitas ocasiões não excedem 100, 150 pessoas? Então não é difícil concluir que o Parque não é local para onde se deve "empurrar" a realização de eventos cuja realização deveria ser melhor dimensionada e planejada.
Já existe, pelo menos, um abaixo assinado protocolado por nós, moradores da região, nos órgãos da Prefeitura reclamando o disciplinamento do assunto. Será que o prefeito não toma conhecimento do que os seus secretários dirimem a despeito das reclamações da população, ainda que de uma parcela interessada? Percebam que tal reclamação é um fato recorrente. Àquela leitora que (contra) argumenta: na rua onde reside também ocorrem barulhos por conta da feira livre, há que se considerar o benefício e o ônus de uma feira semanal à porta de casa; eu ainda replicaria com o seguinte: qual o benefício de um sujeito que, com microfone ajustado em atíssimos decibéis, às 23h35 de uma certa "revirada" cultural, vomita o seguinte: "vamos revirar essa porra!!!"
Na verdade, o Brasil todo passa por uma crise de identidade social e cultural e Bauru (infelizmente) não estaria distante dessa realidade, onde intentam confundir cultura com "circo" (pão e circo?). Se pretendemos, de fato, expressar "ampla" cultura... por não atrelar então à prática de ampla educação?
É só passar pelo local no dia seguinte e observar o lixo, o fedor e a desordem e constatar que circo nem sempre é cultura!
Geraldo Donizetti de Olibeira