08 de julho de 2026
Auto Mercado

Dr. Automóvel: Pressão dos pneus

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Durante a Festieco realizada na semana passada no Recinto Melo Morais, tive a oportunidade de reencontrar alguns velhos conhecidos e outros leitores, que passaram a ser meus novos conhecidos. Bati um longo papo com nosso amigo cinegrafista Sandro Moraes, dono de 2 Opalas de coleção (e eu falei do meu Chevette, claro...), recebi a visita do amigo motociclista Luiz Gonçalves Jr. (que falou de sua nova e enorme Harley Davidson) e muito mais gente que passava e me reconhecia, o que foi gratificante. Vejo que esta coluna atinge seu objetivo de esclarecer assuntos técnicos ligados aos carros, motos e veículos em geral.

Para variar, surgiram diversas perguntas e uma delas referia-se à pressão dos pneus em diferentes situações além das relacionadas no Manual do Proprietário, como trafegar em areia, pedra, lama, pista de corrida, etc.. Essa é uma boa pergunta, pois realmente o manual só fala de duas situações: com carga média e máxima. Estes limites valem para pista normal de asfalto ou terra firme, condições de rodagem da maioria dos carros com pneus comuns na maior parte do tempo. O que se recomenda é manter sempre o seu veículo nestas condições de fábrica, seja ele um carro, jipe, picape ou moto. Apenas em situações especiais como atravessar um longo trecho de areão, lama, neve ou cascalho é que se pode alterar a calibragem dos pneus para otimizar a tração. Como não dá para ter um pneu para cada tipo de piso que vamos encontrar pela frente, precisamos improvisar com os pneus que temos no nosso veículo. Vamos ver alguns exemplos:

Veículos que transitam em areia solta como deserto, areão ou praia costumam atolar facilmente com os pneus de rua calibrados para asfalto. Se estiverem com pneus lameiros então, pior ainda. Isto por que os pneus ficam duros e cavoucam a areia, propiciando o encalhe. O pneu ideal para este tipo de piso é o balão, largos e lisos, muito usado em buggies de dunas e praias, pois aumentam a área de apoio, diminuindo a pressão no solo. Uma das formas de conseguir este efeito em pneus comuns de rua é diminuir a pressão em cerca de 10 libras em média, em relação à pressão original. Isto faz com que o pneu fique murcho e achatado, consequentemente aumentando a área de contato. Deve-se trafegar com velocidade média constante, nem alta nem baixa, para garantir não ter que parar sobre o trecho arenoso nem perder o controle em curva. Terminando o trecho, deve-se trafegar em velocidades baixas até encontrar um posto e calibrar novamente, o mais rápido possível para não danificar os pneus por rodagem abaixo do ideal. Rodar com pneu com baixa pressão pode fazer com que o pneu pule fora da roda ou corte a lateral. Por isso, jipes preparados usam um aro de retenção extra na roda, para segurar o pneu.

Sobre pedras é o mesmo princípio, mas com pressão diferente. Reduza apenas 5 libras nos pneus para passar com mais aderência (grip) nos pneus sobre as pedras e diminuir a possibilidade de corte, pois pedras podem ser afiadas. Afinal, um pneu mais duro corta mais fácil que um mais mole. É o mesmo princípio de um balão de ar que quanto mais cheio, mais fácil de estourar, não é? Ao sair do terreno pedregoso, retorne a pressão original o quanto antes.

Em lama é o oposto, o pneu precisa estar bem calibrado (conforme indica o manual) para cavoucar a parte mole do lamaçal até atingir um solo mais firme e ter aderência. Se ficar patinando sobre a parte pastosa, ficará encalhado mesmo. Um pneu comum de asfalto terá sempre péssimo desempenho na lama, por isso é recomendado nunca atravessar lama profunda com ele. Um barrinho ou outro mais raso pode encarar sem medo, tomando cuidado para não deslizar. Mas se fizer isso com frequência, é aconselhável trocá-los por pneus de uso misto ou mesmo lameiros, para sua segurança.

Em uso esportivo a coisa muda. A recomendação é aumentar a pressão próxima do limite do pneu, cerca de 40 a 45 libras. Assim, o pneu fica mais duro e não deita tanto em curvas, aumentando a estabilidade e capacidade de frenagem em alta velocidade. O desgaste do pneu será acentuado e a banda de rodagem irá para o brejo fácil, fácil... mas corrida é corrida!

Não temos muitas oportunidades de trafegar com neve no Brasil, mas se pegar neve não terá muitos problemas. A neve se assemelha à areia molhada, que é mais firme, ao contrário do que muitos pensam. O perigo é o gelo que se forma na pista, este sim escorrega muito. O ideal é evitar piso congelado sem sal na pista ou usar pneus adequados de rally, daqueles com pregos...