10 de julho de 2026
Nacional

MPF troca processo criminal por doação de livros em São Carlos

Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

São Carlos - Suspeitos de cometerem crimes federais leves em São Carlos (147 km de Bauru) estão se deparando com uma proposta "inusitada" do Ministério Público Federal: doar livros em vez de responder ao processo.

O acordo começou a ser proposto há sete meses, para casos em que a punição seria inferior a dois anos e para suspeitos sem antecedentes criminais. Se enquadram nessa situação crimes como falso testemunho, contrabando, descaminho e desacato, por exemplo.

Até agora, três processos já terminaram em acordo, e 80 novos livros chegaram às prateleiras de bibliotecas do município. Um quarto acordo foi fechado na última semana e renderá mais R$ 1.650,00 em livros, valor que será dividido em dez vezes.

Segundo o procurador Ronaldo Ruffo Bartolomazi, 34 anos, que desenvolve a parceria com a Secretaria da Educação de São Carlos, o acordo é facultativo e pode ser feito antes do início do processo ou durante o andamento.

De acordo com a secretária da Educação de São Carlos, Lourdes Moraes, os acusados escolhem os títulos em uma lista elaborada pela pasta. O futuro doador vai à livraria, compra os livros conforme o valor da multa, os leva à secretaria e, se quiser, entrega na biblioteca.

O projeto de São Carlos foi inspirado em um que existe em Presidente Venceslau (343 km de Bauru) desde 2010.

O juiz Silas Silva Santos, 34 anos, decidiu aplicar a doação de livros no lugar das cestas básicas em casos de crimes leves - como porte de droga e lesões corporais. De acordo com ele, em um ano, foram doados 1.000 livros a 16 escolas.