08 de julho de 2026
Regional

Laudo confirma que doadora morreu devido a erro médico

Por Rita Magalhães e Maria Stella Calças | Do Diário da Região
| Tempo de leitura: 4 min

A universitária Luana Neves Ribeiro, 21 anos que residia em Promissão (120 quilômetros de Bauru), morreu vítima de múltiplas perfurações na veia subclávia esquerda, ocorridas durante a tentativa frustrada de implantação de um cateter no coração para coleta de medula óssea. As perfurações, decorrentes da passagem do fio guia do cateter, causaram hemorragia na pulmão esquerdo, que culminaram com choque hipovolêmico.

Luana morreu no dia 4 de julho quando era submetida a preparativos médicos para fazer a doação da medula óssea para uma criança portadora de leucemia, do Rio de Janeiro. A morte levou o hospital a paralisar a coleta de medula para transplante e o Conselho Regional de Medicina (Cremesp) e Polícia Civil a abrirem investigação.

As perfurações - sete na veia subclávia e três no folheto valvar da veia subclávia -, não foram as causas determinantes para o óbito da estudante. Laudo do Serviço de Verificação de Óbito (SVO), assinado pela patologista Janice Silva e entregue ontem ao delegado João Lafayete Sanches Fernandes, é claro ao afirmar que o choque hipovolêmico - decorrente da hemorragia provocada pelas perfurações - é uma disfunção que só leva à morte, "se não for corrigida? .

Médicos ouvidos pela reportagem são unânimes em dizer que o problema seria corrigido com muita segurança se a hemorragia fosse diagnosticada por exame radiológico ou ausculta pulmonar (exame clínico). "Essa foi a maior a falha clínica." O exame clínico, segundo profissionais do próprio HB, seria suficiente para mostrar que a paciente estava em choque (pressão baixa) e precisava ter o quadro revertido com soro fisiológico e transfusão de sangue.

Um integrante da cúpula do HB elogiou a médica Érika Rodrigues Pontes, mas afirmou que faltou experiência dela para diagnosticar o estado de choque da paciente e sensibilidade para aliar os sintomas à implantação do cateter central, à qual a jovem foi submetida menos de três horas antes.

"Ela é uma médica muito envolvida, muito dedicada e especialista em transplante, mas, infelizmente, faltou vivência. Se a paciente tivesse sido atendida na Emergência, com certeza, não teríamos esse desfecho pois esse tipo de doente (em choque por hemorragia) chega lá o tempo todo", afirmou.


Investigações


O delegado João Lafayete Sanches Fernandes disse que vai encaminhar o laudo do SVO, junto com o prontuário da universitária e os depoimentos das médicas Flávia Leite de Souza Santos e Érika Rodrigues Pontes ao Instituto Médico Legal (IML) para que o órgão faça uma análise necroscópica indireta para uma espécie de confirmação dos apontamentos do DVO. O delegado descartou a necessidade exumação do corpo, justificando que já tem "provas suficientes para atestar a causa da morte de Luana".

Hoje, o delegado vai ouvir a patologista Janice Silva para que comente o laudo e explique porque não comunicou a polícia do óbito já que havia percebido que a morte era decorrente do acidente de punção. A legislação determina que mortes de causas externas, - como acidentes por imperícia médica, de trânsito, de trabalho, doméstico, suicídios e assassinatos - sejam investigadas pelo IML, órgão ligado à Polícia Técnico-Científica.

O delegado também ouviu ontem a dona de casa Cirça Aparecida Neves de Oliveira, 46 anos, mãe de Luana. Ela saiu abatida da delegacia ao lado do marido Waldevino Francisco Guedes: "Só peço que seja feita Justiça. A dos homens e a de Deus.".

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Fotógrafo é agredido


O repórter-fotográfico do Diário da Região de Rio Preto Guilherme Baffi e o jornalista André Modesto, da TV Tem, foram agredidos pelo autônomo Vinicius de Castro Alves, durante a saída da médica Flávia Leite Souza Santos, que prestou depoimento na manhã de ontem no 5º Distrito Policial. Flávia foi responsável pela colocação do cateter na jugular da estudante Luana Neves Ribeiro, 21 anos, que morreu no dia 4 de julho ao se preparar para doação de medula óssea.

A mãe da médica agressivamente abraçou a filha e passou entre os fotógrafos e cinegrafistas que estavam no local. Alves, que é primo de Flávia, colocou uma jaqueta para esconder o rosto dela e, enquanto a escoltava até o carro, chutou a máquina do repórter-fotográfico do Diário, que caiu a vários metros e sofreu avarias. Alves ainda tentou agredir Modesto com um soco no rosto e empurrões, e o ameaçou dizendo "vou te pegar".