08 de julho de 2026
Regional

Empresas levam lançamentos para a feira

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 7 min

A Feira do Bordado é o evento anual mais importante para as fábricas e comerciantes de enxovais de Ibitinga. Para atrair o consumidor, as empresas se prepararam para levar aquilo que acaba de sair do ?forno?, ou melhor, das máquinas, já que o importante é vender e deixar o cliente satisfeito para que ele volte no ano seguinte.

Visitar a feira é para a maioria das mulheres um passeio para os olhos. Elas representam mais de 50% dos visitantes. São elas que os fabricantes querem conquistar. Se elas se encantam, compram. Peças de todas as cores, modelos, tipos e preços chamam a atenção das consumidoras.

Para a conquista, as empresas levam os lançamentos de inverno. O gerente de vendas e marketing de uma das empresas Ricardo Garbuio diz que a feira é o evento mais importante, não só para as fábricas de enxovais, mas também para a cidade. "A cidade espera. Nesses 10 dias de evento as empresas recebem uma injeção financeira muito grande. Contratam funcionários temporários. Pessoas que estão desempregadas têm a oportunidade de ganhar e de conquistar uma vaga permanente. São muitas vagas, direta e indiretamente."

De acordo com ele, as vendas na feira são quase que 100% varejo. "A venda no atacado é feita por nossos representantes em todo o País. Nossa expectativa é faturar de 10 a 15% a mais em comparação à feira do ano anterior. Para isso, procuramos trazer o que há de mais moderno no segmento de enxovais."

Garbuio frisa que por experiência já se sabe que os edredrons, travesseiros, porta travesseiros e fronhas são os produtos mais vendidos nos 10 dias. "No ano passado, as mantas de microfibras já estavam na coleção, mas este ano, elas ganharam mais força por conta da propaganda."

A manta substitui os edredrons com uma vantagem, na opinião do gerente. "Elas esquentam. São leves e ocupam um espaço muito pequeno no guarda-roupa. São fáceis de lavar. É possível até lavar em casa, na máquina caseira."

Os acessórios que dão um toque especial na cama também ganham atenção dos fabricantes. "Confeccionamos almofadas em forma de flor em tecido estampado para seguir a tendência e acompanhar o tecido das colchas, fazendo uma composição bastante interessante."

Para a confecção dos edredrons, a fabricante seguiu a tendência. "Para ter um diferencial usamos cores que estão na moda. O uva, lilás, o branco e o preto. Com força menor, o cinza está sendo usado em algumas peças. A linha retrô traz de volta o cetim. Em peças que misturam o passado em uma versão contemporânea."

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Edredon: quente e frio


Uma das mais tradicionais empresas de enxovais de Ibitinga que há 38 anos participa da feira, criou o edredron quente e frio. De um lado ela é malha e de outro, soft. Em cores vibrantes, o novo produto protege do frio se usado do lado do soft, próprio para o inverno. Serve para dias mais quentes, se usado do lado da malha, explica a vendedora Ana Paula Torres.

A vedete deste ano na feira, sem dúvida, são as mantas de microfibras. A maioria dos fabricantes fez questão de colocar a peça a venda. Cada qual com seu toque para ser diferente e encantar. Este fabricante, por exemplo, caprichou no acabamento. "Este é o nosso carro chefe para a feira. Usamos cores que fazem composê com os edredrons e lençóis."

Torres enfatiza que nos 10 dias de feira, os produtos mais vendidos são os miúdos. "Lençóis e fronhas avulsas e kits para cama com lençol de baixo, de cima, edredom e cobre leito."

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Superposição de tecidos


Abertura lateral com superposição de tecidos é novidade em colcha que uma empresa levou para a feira para chamar a atenção do consumidor. A composição de tecidos e os detalhes saltam aos olhos. A criação do novo modelo foi da equipe de designers da empresa, segundo a gerente Alcione Satina.

"Essa colcha faz parte da coleção 2011. Temos na versão solteiro e casal. Nossa equipe de criação busca as novidades do mercado. Usamos muito os florais e o clássico listrados nas peças. Essas estampas estão em alta."

A empresa investiu em equipamento e está fabricando travesseiro de visco elástico. "É outra novidade que estamos trazendo para a feira."

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Empresa aposta no preto e vermelho


Ivanilda Maria Velozo Crella está no mercado de bordados há 20 anos. Bordou durante muito tempo como funcionária de uma empresa. Há 4 anos, tem sua própria empresa onde o marido figura como sócio. A coleção que ela levou para a feira de 2011 tem muito bordado em lantejola.

A coleção tem muito cetim, tecido que está voltando, segundo Crella. "Em cores inovadoras e modelos diferentes para atrair o consumidor. Uso muito brilho nos bordadosa. A lantejola tem uma boa aceitação nos enxovais de cama e banho."

A empresária frisa que foi a pioneira na aquisição de uma máquina de bordar com lantejola. "Foi a primeira máquina desse tipo a chegar em Ibitinga. Esse bordado por ser usado em lençóis e toalhas de banho. Ele não machuca e pode ser lavado na máquina normal, sem perder a qualidade."

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Para deixar a casa mais alegre


Para completar a decoração da casa, os expositores não esqueceram da cozinha. Vários estandes trouxeram objetos e produtos decorativos para a ambientação do local onde se prepara a alimentação da família. As antigas latas de mantimentos ganharam nova roupagem e estão em alta com estampas bastante sugestivas. Os bonecos em forma de galinha estilizada dão um ar campestre ao ambiente. Mas a vedete é o kit completo do bule, um lançamento trazido pelo fabricante para a feira, explica a vendedora Ana Cláudia dos Santos Machado.

"Ele é composto de toalhinhas para mesa, fogão, capa de liquidificados, batedeira, jogo americano, cortina. As peças podem ser adquiridas separadamente ou no kit. É um lançamento que faz um composê de tecidos de bolinha e xadrez. Temos em cores mais vibrantes e sóbrias para atender cada tipo de dona de casa."

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Bordado Richelieu é o diferencial da fabricante


Lençóis com vira bordada com richelieu. Embora o nome seja difícil de pronunciar, o bordado é que dá o toque diferente nas peças de uma das fabricantes de Ibitinga. "Utilizamos os bordados manuais e computadorizados, fazemos questão de manter os traços do mais antigo que encanta sempre", diz o vendedor Juliano Hatemam.

De acordo com ele, o tecido usado na confecção dos lençóis também fazem a diferença. "Hoje, trabalhamos com o percal na linha dos 180 a 600 fios. Os confeccionados em 600 fios são ultra macios, têm um toque suave e proporcionam conforto na hora de dormir."

As peças de percal de 200 fios foram fabricadas em cores cítricas e as de 600 fios, acompanhando uma linha mais clássica, em tons pastéis. "Além do bordado, os lençóis são embalados em caixas de madeira natural próprias para presentes. Adotamos a caixa para oferecer um produto bem acabado. A cada ano, melhoramos a caixa que tinha preguinhos e hoje é colada."

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Arte de deixar o tecido mais bonito


Foi na década de 30 que o bordado passou a fazer parte da história de Ibitinga, como complemento da renda familiar. A arte de usar linha e agulha em tecidos de forma a torná-los para bonitos foi adotado por mulheres como Dioguina Martins Sampaio Pires, Maria Gonçalves Amorim Grilo, Marieta Macari Pires e Maria Braga, as primeiras professoras de bordado da cidade.

Feito à mão, o bordado ganhou espaço no enxoval das jovens ibitinguenses que trataram de se matricular na escola de bordados oferecida pela Singer, marca tradicional de máquina de costura. Foi ela também que mudou o modo de produção com as máquinas elétricas projetadas especialmente para atender o mercado ibitinguense.

A escola teria sido montada por Gottardo Juliani um revendedor da marca que vislumbrou a oportunidade de vender mais máquinas na cidade. Com as ?maquininhas? o trabalho ganhou rapidez e novas formas que conquistaram o público alvo. As novas tecnologias e facilidades de importação, as máquinas de borda ultrapassaram algumas barreiras e atualmente são responsáveis pelos bordados e confecção de travesseiros.

As atividades que tinham papel secundário na economia local passaram a ser fonte principal e a partir daí passou por inúmeras transformações acompanhando as necessidades de mercado. Hoje, Ibitinga é conhecida como a Capital do Bordado e cerca de 80% da população vive direta ou indiretamente da produção e comercialização do bordado.