08 de julho de 2026
Bairros

Meu time, meu bairro

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 7 min

Independência


"Aonde o Indepa vai eu vou. Aonde o Indepa vai eu vou. Ele vai ser o campeão do amador!". Esse é o grito de guerra que ecoa pelas arquibancadas e invade o gramado sempre que o Independência Futebol Clube entra em campo para disputar o campeonato promovido pela Liga Bauruense de Futebol Amador (LBFA).

Para impulsionar os jogadores e conquistar a vitória, a Esquadra da Indepa, nome pelo qual é conhecida a torcida do time, faz o possível e o impossível. E para garantir que tudo saia conforme o planejado, a preparação começa com antecedência.

Quando o time joga no domingo, por exemplo, a Esquadra se reúne um dia antes para o famoso "esquenta" na sede do clube e aproveita para afinar os instrumentos que serão levados para o campo no dia seguinte.

No domingo bem cedo, maracas, surdos, repiques, chocalhos, tamborins, pandeiros e uma bandeira de dez metros embarcam no ônibus fretado especialmente para a partida rumo ao campo.

A Esquadra também costuma promover festas, vender rifas e realizar almoços com o objetivo de arrecadar verbas para o time. Tanta mobilização tem resultado: além do time ter conquistado três títulos de campeão do amador e dois de vice, a torcida do Independência é famosa por ser uma das maiores e mais fanáticas da cidade.

José Wagner de Almeida, 28 anos, é o líder da Esquadra e um de seus representantes mais legítimos. Ele conheceu o time que leva o nome da Vila Independência há cinco anos, por intermédio de um amigo. De lá para cá, tornou-se fanático pelo time e até passou a morar no bairro.

"O Indepa é o meu time de coração, o meu representante. Não há nada que se compare. Eu sou palmeirense mas não amo tanto o Verdão quanto amo o Indepa", compara.

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Redentor


O Esporte Clube Redentor é um dos times mais tradicionais de Bauru na disputa da Copa Municipal, promovida pela Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel).

Mas adquirir esse status não foi fácil. De quando foi fundado, em 1968, até hoje, o time e seus diretores já passaram por poucas e boas.

Um dos episódios mais memoráveis aconteceu logo nos primeiros anos de vida do Redentor, quando um dos jogadores do time, que trabalhava como pedreiro na construção do Núcleo Redentor 2, armou uma partida contra o time de Tupã.

O time reservou hotel e embarcou em um ônibus fretado especialmente para a disputa. Quando chegaram na cidade perceberam que algo estava errado.

"Estava um alvoroço só. Por onde andávamos, víamos faixas sobre um jogo do Tupã contra o misto do Noroeste. Na hora da partida, percebemos que o misto do Noroeste a que se referiam as faixas em questão éramos nós. Não sei quem foi enganado: se nosso time ou a cidade toda", conta, rindo, Isaias Oliveira da Silva, presidente do Redentor.

O resultado foi 7 a 1 para os donos da casa e várias ameaças de processo para cima do time. "O Noroeste queria nos processar por termos usado o nome deles. O time de Tupã também, alegando que tinham sido enganados. E nós, sem saber o que fazer. Ainda bem que, apesar do 7 a 1, tudo passou e o mal entendido foi esquecido", suspira, aliviado.

Depois disso, impulsionado pelas torcidas Kokeluxe e Peba, o Redentor conquistou o título de campeão do amador de 1977, 1994 e 2000, além da Copa Centenário, em comemoração aos 100 anos de Bauru.

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Milan


Um bar localizado na quadra 5 da avenida Lúcio Luciano é a sede oficial do Milan Futebol Clube. Achou estranho? Pois não se assuste e nem pense em correr para o tal endereço na esperança de ver por lá jogadores como Alexandre Pato, Robinho ou Thiago Silva. O Milan em questão não é o famoso time da Itália, mas, sim, o legítimo representante do Jardim Tangarás na primeira série do campeonato amador promovido pela Liga Bauruense de Futebol Amador (LBFA).

O nome, apesar de famoso, é apenas uma homenagem ao time italiano, que estava em destaque em todas as páginas de jornais em 2002, ano em que o Milan bauruense foi fundado oficialmente por um grupo de amigos, entre copos de cerveja, em um bar do bairro.

"Eu, meus irmão e mais um grupo de amigos tínhamos o hábito de nos reunir durante o fim de semana para jogar bola. Mas era apenas uma brincadeira. Em 2002, percebemos que nosso time era forte o suficiente para disputar o amador de Bauru", explica Sérgio Juventino Dionizio, presidente do time.

E eles tinham razão. Em 2002, o Milan passou a disputar as partidas da segunda divisão da LBFA e sagrou-se campeão do torneio. Em 2003, subiu para a primeira divisão, onde permanece até hoje.

Nos hábitos do time, quase nada mudou. Inclusive as discussões táticas, comemorações e lamentações pelas derrotas, que continuam acontecendo em um bar, regadas a cervejada.

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Beija Flor


Se o Esporte Clube Beija Flor é, atualmente, um dos times mais importantes da Copa Semel, isso é graças ao bairro que ele representa: o Núcleo Beija Flor.

Isso porque para chegar onde chegou, o time precisou do apoio da comunidade, que ajudou (e ainda ajuda) com patrocínio, participando de eventos e, é claro, comparecendo aos jogos.

"O Beija Flor tem uma força muito grande dentro da comunidade. É do próprio bairro que sai toda a renda que mantém o clube na ativa. Por isso, fazemos o possível para agradecer dando o máximo em campo", afirma Eduardo Bueno, vice presidente do time.

A paixão pelo time é tanta que, depois de ficar por oito anos inativo, o Beija Flor voltou aos gramados em 2009, jogou disfarçado de Laranjeiras por questões burocráticas, sagrou-se campeão do torneio e, em 2010, reassumiu sua identidade.

"Foi a forma que encontramos de entrar no campeonato. O Laranjeiras já tinha estatuto e jogo de camisa, por isso usamos o nome. Mas era o Beija Flor em campo", revela Eduardo.

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Parquinho


Depois de ser nove vezes campeão da Liga Bauruense de Futebol Amador (LBFA), cinco vezes vencedor da Liga Regional de Futebol de Bauru (LRFB), e sagrar-se o time de futebol amador da cidade com mais títulos conquistados, o Parquinho Futebol Clube decidiu pendurar as chuteiras.

A decisão, segundo o presidente do conselho deliberativo do time, Benedito Anselmo Filho, não foi nada fácil. Contudo, foi tomada com base em muitos motivos.

"Para participar do campeonato, o time se submetia a condições com as quais não concordava, mas que, no momento, não vem ao caso. Além disso, o Parquinho nunca entra em campo se não for para ser campeão", justifica Benê.

O Parque Vista Alegre, que era representado pelo time, lamenta a ?licença por tempo indeterminado?, afinal, foram nos campinhos de terra localizados no centro do bairro que o time deu seus primeiros dribles.

"O Parquinho é o Parque Vista Alegre em ação perante aos outros bairros de Bauru. É por causa dessa identidade que os torcedores são tão fanáticos e o time tão tradicional", explica Benê.

Atualmente, o Parquinho disputa apenas o campeonato sênior. "Nesse torneio jogam os mais velhos, que participam do time por saudosismo, porque gostam, não por dinheiro, como acontece no amadorzão", frisa.

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Nacional


Palmeirenses e corintianos são como cão e gato: nunca se deram bem. A rivalidade é tanta que, muitas vezes, os desentendimentos extrapolam os muros do estádio e chegam ao local de trabalho, às rodas de amigos e até mesmo ao ambiente familiar.

Neste cenário, conciliar a paixão pelo time com as normas de boa convivência é uma das tarefas mais difíceis de se cumprir. Mas como difícil não é sinônimo de impossível, um grupo de amigos da Vila Cardia alcançou a tal proeza: uniu corintianos e palmeirenses e em 1957 fundou o mais antigo time na ativa do campeonato amador de Bauru, o Nacional Atlético Clube.

"Antes o time se chamava Corinthinha. Depois, como entraram alguns palmeirenses na diretoria, achamos por bem trocar de nome e fundamos o Nacional. Quando o time entra em campo, somos um só grupo, independente de tudo", explica José Luiz Garcia, 60 anos, mais conhecido como Jacaré, que ainda na infância viu o time nascer e crescer pelas ruas da Vila Cardia.

E fanatismo é um dos comportamentos desestimulados pela diretoria do time. Tanto que o Nacional tem, no lugar de torcida organizada, simpatizantes. "A relação do Nacional com os outros times e com o próprio bairro é bem tranquila. Nos mantemos na ativa por insistência, por amor", revela Junior Fernandes Prado, vice-presidente do time.

Uma das histórias que mais chamam a atenção na história do time está sendo escrita neste momento por três irmãos que vieram de Pernambuco para trabalhar na colheita da cana em Iacanga.

"Descobrimos eles em uma fazenda e os convidamos para jogar no Nacional. Os moleques adoraram... e são bons de bola, viu! São pessoas como eles que nos fazem continuar", afirma Junior, que conta que, atualmente, seis cortadores de cana integram o time.