Um projeto em tramitação no Senado tem provocado polêmica ao permitir que quem tem diploma de graduação possa ser admitido como professor em universidades públicas e privadas, sem a necessidade de título de mestrado ou doutorado. O projeto, que altera a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), é de autoria da Comissão de Serviços de Infraestrutura.
Na justificativa do texto, os senadores argumentam que há uma "preocupante" falta de professores pós-graduados, especialmente com mestrado e doutorado, o que pode comprometer o desenvolvimento econômico no país. Alegam ainda que há diversos profissionais de notório saber que não são absorvidos nas universidades em razão da exigência de títulos.
A proposta foi alvo de críticas na 63ª reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o maior encontro científico do País, que aconteceu em Goiânia, na semana passada.
Para a presidente da instituição, Helena Nader, se o projeto virar lei, todo o sistema de ensino brasileiro será completamente fragilizado. "Tal disparate legal, tal crime de lesa pátria, já passou pela comissão de educação do Senado", criticou. "Não podemos admitir a possibilidade de esse projeto vir a se tornar lei", disse.
Para o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), relator da proposta na Comissão de Educação, a falta de docentes compromete o próprio funcionamento da educação superior. "É de se perguntar se havia doutores diplomados no alvorecer de Bolonha, Oxford, Harvard e Coimbra", afirmou Dias, em seu parecer favorável ao projeto.
Ele apontou ainda que a "progressão salarial" nas universidades públicas e privadas pode ser feita de acordo com títulos acadêmicos.
De acordo com Nader, porém, o Brasil tem hoje um "projeto sólido" de formação de doutores e não pode "andar para trás". O País forma, em média, 11 mil doutores por ano, cerca de quatro vezes mais do que formava há dez anos.
O projeto ainda deverá passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Caso seja aprovado em plenário, ainda será avaliado pela Câmara dos Deputados.
Melhoria contínua: Todos em primeiro lugar
Um computador constitui um conjunto de dispositivos que funcionam de maneira interdependente. Um problema em qualquer uma dessas peças pode acarretar paralisação do sistema.
Assim também é uma empresa. Tudo está em tudo. Você pergunta ao empresário: quem é mais importante para a empresa, o cliente, o colaborador ou o fornecedor?
Com muita racionalidade ele diz: "lógico que é o cliente, é ele quem paga o salário de todos". Tem sentido. Mas não justifica, por causa disso, tratar os outros menos importantes com desdém.
No início da década de 1990, falava-se muito de Jan Carlzon, da SAS, que havia invertido a estrutura hierárquica daquela companhia de aviação, colocando no topo os colaboradores do chão de serviço, uma vez que eles atendiam pessoalmente o cliente. O foco era servir bem o cliente. E onde ficaram os altos executivos? Foram para base da pirâmide organizacional. Os resultados foram extremamente positivos.
Pregava-se, na época, "não faça aos seus subordinados o que não gostaria que eles fizessem aos clientes". Por exemplo: como conseguir sorrir para o cliente, se não há sorriso dentro da organização?
Eu sempre defendi, desde aquela época, a importância de tratar a todos - colaboradores, fornecedores e clientes - igualmente. São todos seres humanos, iguais perante a Deus e merecem a devida dedicação. Quando isso não ocorre, com certeza a discriminação, o fingimento e a falsidade estão presentes.
O respeito, a educação e a atenção cabem em todos os lugares, em todos os momentos e com todos. Pela energia emanada dos colaboradores, o cliente percebe o perfil da liderança da organização. É uma espécie de espelho. Reflete tudo.
Toda organização é uma instituição de relações, uma vez que a mesma se relaciona o tempo todo. Costumo analisar a cultura de uma companhia pela forma com que ela trata os seus fornecedores. É nessa situação que a organização mostra a sua verdadeira face.
Perante o cliente, são poucas as empresas que não estão vacinadas e bem treinadas para encantá-los, considerando a ampla divulgação da gestão da qualidade total feita no Brasil, nos últimos anos.
Isso também me faz lembrar, em 1997, no Paraná, o surgimento de uma associação de fornecedores, que foi criada com propósito de se mobilizar para não fornecer produtos a uma determinada rede de supermercados que abusava do poder que desfrutava. Essa rede ao perceber grande dependência do fornecedor, exigia a sua respectiva planilha de custos, visando determinar o preço a ser pago, além de algumas humilhações, que extrapolavam as conhecidas técnicas de negociação.
O mundo dá voltas e hoje essa rede (sem citar nome, por questão de ética) está em decadência. As leis do mundo empresarial estão subordinadas as leis da Natureza. As empresas que mais duram no mundo levam muito a sério a relação com todos. São decentes. Não fazem inimigos. Um grande exemplo nessa área é o grupo japonês Sumitomo, que tem hoje mais de 410 anos de vida.
A empresa avança ou retrocede de acordo com a sua cultura organizacional, que são suas crenças, procedimentos, normas, disciplinas e valores.
Davison de Lucas - diretor da M.Davison & associados Consultor Organizacional e Palestrante