10 de julho de 2026
Política

Saúde aposta em doação de Maringá para a informatização da rede local

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

Ao mesmo tempo em que disputa contra o tempo o cumprimento do cronograma de instalação das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), de um lado, enquanto ainda prepara licitação para reformar ou ampliar 12 Unidades Básicas de Saúde (UBS), a Prefeitura de Bauru aposta na doação gratuita de programa desenvolvido pelo município de Maringá (PR) para conseguir informatizar a rede local.

Sem a informatização, as unidades novas ou reformadas vão continuar operando sem controle seguro e eficiente de demanda, atendimentos e até agendamento de consultas e procedimentos. A informatização das unidades de saúde agora depende, segundo o secretário municipal do setor Fernando Monti (PR), da doação pela cidade paranaense.

"A informatização da rede de Saúde está em um processo adiantado. Vimos inúmeros programas e inúmeras opiniões de especialistas a respeito de informatizar a rede local. Do ponto de vista de equipamentos estamos bastante adiantados, com muito equipamento já comprado. Para fazer isso funcionar em software, analisamos mercado e especialistas e todos disseram que há risco grande na operação. Nós estamos adiantados em termos a cessão gratuita do software desenvolvido no município de Maringá (PR) e que funciona muito bem por lá", conta.

A prefeitura local atuava através de uma fundação catarinense para tentar viabilizar programa piloto. Mas os custos envolvidos inviabilizaram a proposta. "A opção de Santa Catarina não deu certo porque tem uma empresa no meio que queria vender o software para o Ministério da Saúde e isso atrapalhou. A Prefeitura de Maringá está disposta a fornecer essa licença para adaptarmos esse software de lá aqui para Bauru. Queremos resolver isso em 60 dias", cita.

O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) disse ontem à noite que a aposta é na licença gratuita de Maringá. "Eles desenvolveram um software próprio, que vai muito bem. O que há disponível no mercado é muito caro. Vamos resolver isso", conta.

Agostinho lembra que na área de Educação a administração teve melhor sorte. "Na Educação conseguimos comprar um programa muito bom e sem ser caro. Já tenho direto no gabinete, na minha sala, acesso a informações como a rotina do aluno, a matrícula, o cardápio da merenda no dia, a nota do aluno. A maior dificuldade nesse processo foi instalar as antenas. Depois disso ficou fácil", cita o prefeito.

Funcionamento


Enquanto corre para buscar a informatização, a pasta lida, no dia a dia, com o aparelhamento humano das unidades para poder trabalhar sem dependência de plantões. "O início do funcionamento da UPA do Mary Dota nas duas primeiras semanas vai ser com quadro próprio, mas estamos chamando novos médicos. Nunca tivemos tanta procura em concursos na prefeitura. Agora tivemos 40 aprovados. Mas temos um desafio para agosto, quando entregamos a UPA Bela Vista. Tem de colocar um terceiro plantonista lá quando começar a funcionar. O ideal também é recompor o quadro com jornadas, sem plantões para preencher. Mas vamos atacar isso e há uma comissão trabalhando nisso", enumera.

Monti lembra que a UPA é o começo do projeto de distritalização dos serviços municipais de Saúde. "A enorme deficiência em Bauru é na atenção básica de saúde. Esta deficiência nós ainda vamos começar a atacar. Vamos licitar agora 12 novas obras em Unidade Básica que vão encorpar esse setor específico. Estamos também enviando projeto de lei para ampliar os cargos para a Saúde. Estamos esgotando os cargos que temos. Entre técnicos e pessoal de apoio vamos ter 850 novas vagas, que vão ser contratadas aos poucos, mas precisamos ter as vagas. Isso temos 1.500 e precisamos a metade disso a mais", argumenta.

A prefeitura vai arcar com metade do custo de funcionamento das UPAS. "As quatro UPAs terão um financiamento mensal de R$ 600 mil a R$ 1 milhão para o funcionamento dessas novas unidades. Mas o estudo que fizemos para custeio é de que isso deve bancar 50% do funcionamento. É muito bom perto dos 80% que o município banca hoje para atuar e o governo federal com 20%. E temos de continuar lutando para que o Estado participe do financiamento da rede de urgência e emergência, que hoje o Estado não participa", menciona. Leia sobre o funcionamento da UPA do Mary Dota na página 8.