11 de julho de 2026
Nacional

No recesso, oposição briga por CPI

Folhapress
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Brasília - Mesmo durante o recesso parlamentar, os líderes do PSDB no Congresso aumentam a pressão para viabilizar uma CPI que investigue irregularidades no Ministério dos Transportes.

Segundo Alvaro Dias (PR), líder da legenda no Senado, as novas denúncias envolvendo a pasta devem mobilizar os senadores e a oposição deve conseguir as quatro assinaturas que faltam para a instalação da comissão.

"Temos que reabilitar esse instituto, que é fundamental para que a limpeza ocorra quando há sujeira no governo. Não há nenhum outro instrumento mais adequado do que CPI e, diante dos fatos, não há como relutar. Creio que o próprio governo perdeu condição política e moral de impedir a instalação de uma CPI nesse caso", afirmou Dias ontem.

Anteontem, a "Folha de S.Paulo" mostrou que o novo ministro dos Transportes, Paulo Passos, aumentou, em sua última passagem pelo cargo, o volume de contratos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) que tiveram o valor ampliado.

Levantamento revela que o número de contratos dos chamados aditivos - termos que elevam o valor de obras e serviços em andamento - mais do que dobrou entre julho e dezembro de 2010, na comparação com o mesmo período de 2009.

"As providências adotadas até agora pelo governo não são suficientes. O Ministério Público ainda não teve tempo de instaurar os procedimentos para a investigação judiciária. Cabe ao Congresso Nacional agir com celeridade para dar resposta imediata à população do País", completou Dias.

"É um ministro que já foi ministro quatro vezes nesse período de oito anos e meio, que exerceu uma função relevante dentro desse sistema e obviamente sabe de tudo ou tem o dever de saber. Na pior das hipóteses é cúmplice de tudo o que ocorreu. A sua nomeação foi trocar seis por meia dúzia", disse sobre Passos.

Hoje, o líder do partido na Câmara, Duarte Nogueira (PSDB-SP), deve protocolar em uma comissão representativa do Congresso - que funciona mesmo durante o recesso - requerimento de convocação de Passos.

Nogueira se reúne com o presidente do partido, Sérgio Guerra, para discutir as ações da oposição sobre as denúncias de irregularidades na pasta. Os tucanos negam que o recesso possa esvaziar o assunto. O Congresso volta a funcionar no início de agosto.