A sessão da última segunda-feira trouxe um episódio "novo" no Legislativo. O que parecia a votação de uma simples moção de apelo se tornou uma longa discussão entre situação e oposição, cujo tema foi a saúde, mais uma vez. O motivo? A moção de apelo do vereador Gilberto dos Santos (PSDB) para a instalação de farmácias com distribuição gratuita de medicamentos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).
Carlão do Gás (PR), Roque Ferreira (PT) e Natalino da Pousada (PV) votaram contra a proposta, que não tem qualquer resultado efetivo, mas visa demarcar posicionamento de Giba a respeito. O argumento foi de que a existência das farmácias já está prevista no projeto de concepção das UPAs, pelo programa do Governo Federal que repassou recurso para a instalação de três das quatro unidades do município, com exceção da recém inaugurada, do Mary Dota.
O petista classificou a moção como inócua, populista e oportunista. Já Carlão do Gás foi o porta-voz do secretário de Saúde, Fernando Monti. Segundo o vereador, o titular da pasta afirmara a Giba que a moção deveria ser de aplauso e não de apelo, pois as três próximas UPAs terão farmácias populares e a do Mary Dota está sendo providenciada.
O autor da moção cobrou do vereador do PR a data para que isso se tornasse realidade. "Quando isso acontecer, farei questão de apresentar a moção de aplauso", rebateu Giba, ressaltando a necessidade da regionalização das farmácias com distribuição gratuita de remédio.
Outros vereadores de oposição fizeram coro ao tucano, na defesa da moção de apelo. Marcelo Borges (PSDB) lembrou que a aprovação marca a posição da Câmara enquanto a farmácia da UPA Mary Dota não é realidade. "Se inaugurou, deveria estar com tudo funcionando. Por isso a gente fala que é meia boca", pontuou.
Chiara Ranieri (DEM) lamentou pelo fato de a discussão ter tomado tanto tempo da sessão ordinária. Ao final do ?debate?, os vereadores aprovaram a moção de apelo com o apoio de parlamentares de sustentação da administração, inclusive do líder Renato Purini (PMDB).
Não é a primeira vez nesta legislatura, muito menos no histórico da Casa de Leis, que vereadores utilizam expedientes comuns para promover embates políticos. Pedidos simples de sobrestamentos e até datas comemorativas já serviram de "palco" para confrontos políticos entre os grupos contrários representados no plenário.
No próximo ano, com a realização de novas eleições municipais, episódios como o da última segunda-feira podem se tornar ainda mais comuns.