08 de julho de 2026
Articulistas

Analógico ou digital?

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

Diferentemente da juventude de hoje, faço parte de uma geração que nasceu analógica e com o decorrer do tempo se tornou digital. Lembro com certo saudosismo das aulas de datilografia, quando construir um texto formal e datilografá-lo sem olhar para o teclado era pré-requisito para conseguir o tão almejado diploma de "datilógrafo", que, por sinal, era uma exigência das empresas quando da contratação de um pro-fissional para seu quadro funcional.

Acompanhei a evolução da tecnologia, do antigo telex, máquinas de escrever elétricas, passando pelo fax (que revolução), pelos megacentros de processamento de dados (com cartão perfurado para programação), até a era da internet.

A geração atual é mais ágil. Domina a convergência de tecnologia com uma rapidez invejável. É dinâmica, enfim, tecnológica. Esse contraste, mais do que indicar que minha geração está ficando velha, e está mesmo, deve ser visto pelos vários ângulos do que se exige de um profissional completo. Observo jovens profissionais que são incapazes de redigir um ofício por falta de repertório e de capa-cidade analítica. Processam dados como ninguém, mas têm dificuldade em verbalizar.

A especialização e a própria tecnologia levaram parte desses jovens talentosos ao isolamento. Sabem muito de uma área e possuem pouca capacidade de entender o conjunto da organização e a reais necessidades das empresas. Para muitos, falta foco. Outra característica marcante é a falta de comprometimento. Se envolvem, mas se comprometem pouco. São também mais individualistas e querem retornos rápidos, muito no curto prazo.

A sabedoria indica que na vida, em qualquer área e até mesmo no pessoal, é necessário saber usufruir da experiência acumulada, abrindo espaço para o novo. É possuir mente arejada, aberta. Nas empresas, o desafio é harmonizar essa gama de profissionais. Os cinqüentões estão em alta no mercado de trabalho pela vivência, pelo conhecimento, por trazerem respostas rápidas às necessidades da empresa, contudo, o jovem está aí, cheio de garra, querendo fazer história. Fazer parte de uma geração que vivenciou o analógico e convive com o digital me parece um diferencial competitivo. Analógico ou digital? Prefiro a mescla dos dois, mesmo sabendo que um dia só existirão os digitais.


O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, presidente da Acib e articulista do JC