09 de julho de 2026
Nacional

PR: Dilma está ?brincando com fogo?

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - O processo de demissão "conta-gotas" nos Transportes aumentou a insatisfação do PR com o governo Dilma Rousseff. Irritada com o desgaste de sua imagem, a cúpula do PR procurou o governo e os petistas para avisar que "estão brincando com fogo".

Líderes do partido chegaram a admitir publicamente a ideia de aderir a um pedido de convocação do ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, caso seja apresentado no Congresso. Apesar de ser do PR, o partido não queria Passos no cargo. "Ninguém pode ser blindado neste momento. Se parlamentares quiserem ouvir quaisquer nomes, o PR engrossará fileiras", disse o líder do PR na Câmara, Lincoln Portela (MG), ao ser questionado sobre Passos.

Dizendo-se incomodado com a demissão "a conta-gotas" na pasta, Portela procurou a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) para protestar, mas desabafou mesmo com o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP).

Além de dizer que o governo estava brincando com fogo, o líder do PR reclamou que até mesmo as demissões dos que não foram indicados pela legenda estavam "caindo nas costas do partido".

No telefonema, Portela se queixou do ritmo de demissões - "sangria desatada" - e afirmou que o governo estava prejudicando o PR.

Luciano Castro (PR-RR), vice-líder do governo, disse que o rito de demissão dá a entender "que o governo quer criar fatos políticos diários às custas do PR". "Se tem mais pessoas que vão ser demitidas, por que não fazer isso de uma vez só? Fica o sentimento de que a cada dia querem fazer um fato político. Parece uma forma de fazer expor o nosso partido e deixar uma situação desconfortável com o governo."

Segundo integrantes do PR, o ex-ministro Alfredo Nascimento (AM) tem manifestado sua contrariedade e ameaça fazer um discurso no Senado no fim do recesso parlamentar, quando assumirá uma cadeira na Casa. Nascimento reclama não só de Passos, mas até de Dilma.

Na tarde de ontem, o PR ficou inconformado com o fato de não ser atendido por Ideli sob o argumento de que sua agenda estava lotada. Entre as audiências da ministra estava uma com o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE).

Parlamentares cobraram a divulgação de uma nota de protesto, mas Portela abortou a ideia. Ele disse que o PR deve se reunir na primeira semana de agosto para avaliar o que fazer. "Decidir se vamos sentar com o governo, se não vamos sentar mais com o governo. Quem está desarticulado hoje pode estar articulado amanhã", disse.

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Mais três da Pasta são demitidos


Brasília - O governo promoveu ontem mais três demissões no Ministério dos Transportes, entre elas a de Cleilson Gadelha Queiroz, gerente de licitações e contratos da Valec, empresa estatal do setor de ferrovias vinculada ao órgão. Gadelha é sócio e administrador de uma prestadora de serviços, a empreiteira FC Transportes, com sede em Brasília. Seu parceiro no negócio é Fernando de Castilho, analista de infraestrutura de transportes na Valec - ele não foi exonerado.

À reportagem ele disse que sua firma tem caminhões basculantes que são alugados a construtoras, mas que a FC não recebe verba pública.

Pelo fato de a empresa ser subcontratada de empreiteiras, é impossível rastrear no sistema de gastos federais eventuais pagamentos. Duas pessoas afirmaram à "Folha de S.Paulo" na semana passada que a empresa atuou em obras da Norte-Sul -ferrovia sobre a qual Queiroz deu dezenas de decisões.

Uma delas é funcionário da FC, que disse se chamar Francisco. A outra é a funcionária de uma concessionária de caminhões de Gurupi (TO), da qual Queiroz disse ter adquirido seus veículos. Cleilson afirmou que a informação de que a FC atuou na Norte-Sul não procede. "Se ele (funcionário da FC) falou isso para você, falou erradamente. A gente nunca trabalhou para o governo."

Ele não comentou a afirmação da funcionária da concessionária. Fernando de Castilho, o outro dono, não respondeu aos recados deixados pela reportagem.

Outro que saiu foi Eduardo Lopes, afilhado do deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP) e assessor no gabinete do ministro, segundo o Portal da Transparência do governo federal. O assessor Pedro Ivan Guimarães Rogedo também deixou a Valec. Já são 15 as demissões nos Transportes, ligadas a suspeitas de superfaturamento e pagamento de propina.