Em julho de 2005, Jean Charles de Menezes foi morto por engano no metrô de Londres por agentes da Scotland Yard, com sete tiros na cabeça. Foi tomado por um terrorista que já tentara explodir o metrô de Londres. Os agentes receberam ordens expressas para "deter o suspeito". Até agora não explicaram o que significa "deter o suspeito " no jargão da polícia mais bem preparada do mundo. Regozijam-se de serem bem preparados, de usarem a inteligência antes da violência, etc. Recebem instruções que vão de luta corporal até a identificação de vários tipos físicos do mundo inteiro e seus idiomas. Mas três deles juntos precisaram assassinar um suspeito em vez de o deter para averiguações, já que o suspeito não ofereceu qualquer tipo de resistência e até lhes teria dito " I am brazilian " segundos antes da execução. Quase cinco anos depois do terrível engano, resolveram fixar uma indenização à família da vítima: 100.000 libras. Já o chefe da polícia britânica demitido ou que se demitiu do emprego recebeu quatro vezes mais.
Na mesma época, a justiça britânica anunciou que o jornalista Matt Driscol seria indenizado em 800.000 libras por ter sofrido assédio moral de seu chefe, Andy Coulson, no jornal The News of de World. A cifra destinada à família de Jean Charles foi estipulada baseada num conceito eivado de preconceito: "a vítima era pobre e tinha profissão modesta, e por isso não poderia dar mais que isso à família se continuasse a viver ". Sábias palavras. Se a vítima fosse uma prostituta norte-americana garanto que sua família teria tido uma assistência de melhor qualidade da embaixada de seu país e melhor consideração dos ingleses. É isso aí, gente. Para que dar uma merreca de 5.000.000 de libras por alguém oriundo de um país conhecido pela tríade futebol-carnaval-lascívia remunerada, onde os europeus vêm passar as férias fazendo o tal turismo sexual ? claro que ele vale bem menos. Nós mesmos fazemos a propaganda de que valemos menos.
Sidnei Rodrigues