Quem passou por alguns postos de combustíveis de Bauru na noite de anteontem, pôde notar que os letreiros de preços estavam incompletos. Só não era possível adivinhar se a notícia seria boa ou ruim. Ontem beio a resposta: os preços voltaram a subir e, mais uma vez, chamou a atenção do valor do litro do álcool sofrer nova alta em pleno período de safra da cana-de-açúcar - que começa em abril e segue até novembro.
No caso do etanol, o aumento chegou a 19%, já que em estabelecimentos que comercializavam o produto a R$ 1,59, o novo valor passou para R$ 1,89. Já a gasolina subiu menos: da média de R$ 2,59 para R$ 2,69 ontem.
Os proprietários de veículos que aproveitaram os preços mais baixos do litro de etanol em diversos postos da cidade na semana passada tiveram sorte. Mas como explicar um acréscimo tão significativo em um curto espaço de tempo e em plena safra da cana?
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) em Bauru, José Antônio Reghine, esclarece que o valor de R$ 1,59 era quase o mesmo do preço de custo do produto.
"Este valor estava quase encostado no preço de custo (aquele cobrado das companhias distribuidoras aos postos). O que temos muito aqui em Bauru é uma guerra de preços. Os comerciantes nivelam os valores porque o bauruense vai procurar o menor preço", destacou.
Defasagem
A safra da cana-de-açúcar deste ano não foi tão proveitosa quanto no ano passado, segundo Reghine. A defasagem da produção fica entre 6,5% e 7% por conta da estiagem e também do produto velho, com pouca possibilidade de uso.
"As usinas colocam o preço delas e, depois, isso passa ainda por outros repasses até chegar ao consumidor. A defasagem da produção também é motivo do aumento do valor do álcool", acrescenta Reghine.
No início deste ano, especialistas consultados pelo JC atribuíram o aumento do álcool combustível e da gasolina à preferência dos usineiros em utilizar a cana para a produção de açúcar - motivados pelos altos preços do produto no mercado internacional - e também ao período de entressafra.
O preço da gasolina também assustou o público consumidor ontem. Há uma semana o litro do combustível era vendido entre R$ 2,49 e R$ 2,59. Nesta quinta-feira, com os letreiros modificados, vários postos já vendiam a R$ 2,64 e R$ 2,69.
O presidente do Sincopetro explica que como o álcool anidro faz parte da composição da gasolina, consequentemente o preço desse combustível sobe devido ao aumento do etanol. "A medida de álcool anidro na gasolina é de cerca de 25%. Então, se sobe o etanol, a gasolina sobe junto".
Exportação
Ouve-se muito falar que o Brasil, responsável por uma das maiores produções de petróleo do mundo, além da terra adequada para o plantio da cana-de-açúcar, exporta etanol a um preço muito menor do que vende no mercado interno.
Isso ocorre de fato, no entanto, o combustível no Brasil é carregado de impostos diversos, o que encarece demais o produto. A lei da oferta e da procura com o aumento abrupto da frota de veículos também é motivo para que o combustível fique valorizado, segundo análises de especialistas.
Entretanto, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) em Bauru, José Antônio Reghine, destaca que, há alguns anos, o Brasil tinha um excedente de combustíveis que acabou sendo exportado a preços mais baixos.
"O que acontece é que o Brasil fechou alguns contratos para a venda desse excedente, mas isso já foi cumprido. O grande problema é que o combustível tem um imposto nacional violento", diz.
?Vai de álcool ou gasolina??
Com o aumento do preço do litro do etanol, está compensando abastecer com gasolina? O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) em Bauru, José Antônio Reghine, diz que ainda não.
Quem quiser fazer a conta para saber se compensa ou não abastecer com etanol, é só dividir o valor do litro do álcool pelo da gasolina. Se o valor for inferior ou igual a 0,7, é vantajoso o etanol. Caso contrário, procure abastecer com gasolina se o veículo for flex.