A Polícia Militar (PM) e a Polícia Civil instauraram inquéritos policiais distintos para apurar a atitude do policial militar de 37 anos - de identidade não revelada ao Jornal da Cidade - que atirou em um assaltante na noite de anteontem em Pederneiras, conforme divulgado pelo JC ontem. No momento da ocorrência, em uma farmácia na avenida Tiradentes, o policial estava à paisana (de folga do trabalho).
Na manhã desta quinta-feira, o delegado titular da Delegacia de Polícia de Pederneiras, Eduardo Herrera dos Santos, esteve na Delegacia Seccional de Polícia de Bauru para esclarecer alguns pontos sobre o caso e afirmou que o inquérito da Polícia Civil deverá ser concluído em 30 dias.
Era por volta das 19h30 quando o assaltante Daniel Mendes de Souza, 28 anos, conhecido popularmente como "Mano Rap", inclusive pelos meios policiais devido à sua extensa ficha criminal, entrou em uma farmácia localizada na avenida Tiradentes anunciando o assalto.
Dizendo estar armado, ele aterrorizou as vítimas que estavam no estabelecimento, inclusive funcionários. "O indivíduo entrou no local com uma pistola, aparentemente oxidada e com um capuz na cabeça. Após subtrair o dinheiro mediante ameaça contra os balconistas da farmácia, ele acabou deparando-se com um policial militar de Pederneiras, que reside próximo ao local", relatou o delegado.
O policial dirigiu-se até a farmácia porque uma testemunha teria pedido ajuda a ele alertando sobre o crime no estabelecimento. Quando policial e acusado ficaram frente a frente, Daniel foi advertido para se entregar, mas ofereceu resistência e apontou a arma para o policial.
"Para se proteger, pelo menos é o que foi dito em suas declarações, ele (o policial) acabou por disparar a arma que estava portando contra o indivíduo, que veio a falecer próximo ao local. Na verdade, o acusado estava com um simulacro de alta semelhança com uma arma de fogo e chegou a ameaçar o policial. A arma (simulacro) e o valor em dinheiro foram encontrados caídos ao redor dele", complementou o delegado.
Testemunhas
Segundo Herrera, os relatos das testemunhas do crime também subsidiarão as investigações. Em depoimento, segundo o delegado, elas confirmaram a atitude de Daniel.
"Elas estiveram lá novamente, depois, para reconhecer e comprovar os fatos e observar toda a cena do crime como foi encontrada, periciada e fotografada", explica Herrera.
A atitude do policial militar em questão é questionada por alguns e elogiada por outros. O delegado esclarece que todos os policiais, sejam civis ou militares, exercem sua profissão 24 horas por dia. "Todos nós somos policiais 24 horas, inclusive existe um regime especial de trabalho previsto que determina uma ação nossa".
Os tiros disparados pelo policial militar atingiram o braço direito, o ombro esquerdo e a cabeça de Daniel, que não teve tempo de ser socorrido e morreu em frente ao numeral 512 da avenida Tiradentes, em Pederneiras.
Esclarecimentos
O caso foi registrado como roubo qualificado e resistência. A assessoria de imprensa do Comando da Polícia Militar do Estado de São Paulo informou, ontem, que a PM instaurou um inquérito interno para apurar as causas da morte de Daniel Mendes de Souza, atingido com três tiros por um policial militar de Pederneiras que estava à paisana. Segundo a PM, mesmo estando de folga, os policiais militares podem exercer a profissão e andar armados.
A Polícia Civil também instaurou inquérito para apurar o caso. O prazo para a conclusão desta investigação é de 30 dias. No final, os dois documentos subsidiarão a decisão judicial para indicar se o policial foi ou não culpado diretamente pela morte do assaltante, ou se será considerada legítima defesa.