09 de julho de 2026
Nacional

Alimentos e serviços são vilões da inflação

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ligado à Presidência da República, verificou o comportamento da inflação brasileira na última década, e apontou como vilões das altas de preços os grupos de alimentos e bebidas, além de serviços. Segundo o levantamento, as variações destes grupos ficaram acima do centro da meta de inflação nos últimos dez anos.

De acordo com levantamento divulgado ontem, quatro fatores tiveram influência direta na alta de preços destes grupos. São eles: a alta internacional dos preços de commodities; a melhora da distribuição de renda e do mercado de trabalho; as mudanças na regulação dos preços administrados e a valorização do real (apreciação cambial) e ganhos de produtividade.

O levantamento pretende apontar quais são os grupos de preços mais influentes e como podem estar relacionados às mudanças recentes na trajetória de crescimento da economia brasileira. A análise enfoca principalmente o comportamento dos índices após 2007.

Para realizar as análises, os pesquisadores do Ipea fizeram a decomposição da inflação oficial, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), verificado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e estudaram quais são os grupos que mais tiveram influência no IPCA.

O estudo avalia o impacto dessas mudanças nos preços dos grupos alimentos, bebidas, serviços, monitorados e industrializados, que formam o IPCA.

"Desde 2004, o país vive uma fase de crescimento mais acelerado. No período, houve aumento nos preços das commodities e melhorias no mercado de trabalho e na distribuição de renda", aponta.

Os pesquisadores fazem ainda a relação do crescimento da economia na última década, com o comportamento da inflação. De 1995 a 2003 a taxa de crescimento média do PIB real foi de 2,18% ao ano, enquanto de 2004 a 2010 o crescimento médio subiu para 4,42%.

"Essas taxas mais elevadas (são relacionadas) ao surgimento de um novo regime de crescimento, consubstanciado em alterações no regime de demanda, regime de produtividade e alívio da restrição externa", diz o estudo. A força motora do novo regime é o mercado interno, fomentado pela melhora na distribuição de renda e redução da pobreza, expansão do crédito e recuperação relativa da renda do trabalho.

A inflação dos alimentos e bebidas se deve a alta internacional dos preços de commodities nos últimos anos, com exceção de 2009, e o aquecimento da economia sobre o grupo como um todo. "(Isso) têm levado as taxas de variação dos preços de alimentos e bebidas a níveis muito acima da meta de inflação", analisa.

Já a justificativa para o forte aumento dos preços dos serviços, relacionada as mudanças estruturais da economia nacional à melhora da distribuição de renda e redução do desemprego.

A variação dos preços de alimentos e bebidas não comercializáveis fora do domicílio esteve por volta de 7,7% em 2007 e 2009, mas em 2008 e 2010, anos de crescimento econômico mais vigoroso, foi 12% e 9,8% respectivamente.

O mesmo ocorre com os serviços pessoais: sua taxa de variação foi próxima a 7,5% em 2007 e 2009 e ao redor de 9,5% em 2008 e 2010.