09 de julho de 2026
Rural

Boi: indústria deverá ter nova onda de consolidação


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A indústria mundial de carne bovina - especialmente a da América do Sul - deve passar por uma nova onda de consolidação diante da redução dos rebanhos, necessidade de capital de giro, escala e de arbitragem comercial, de acordo com o Rabobank.

"Na medida em que a capacidade estrutural de processamento é maior que a disponibilidade de gado por causa da diminuição dos rebanhos bovinos em todo o mundo, uma importante e provável consequência será uma nova onda de consolidação da indústria e uma racionalização no processamento de carne bovina", avalia a instituição em relatório trimestral divulgado ontem.

Como grandes mercados como Estados Unidos e Austrália já apresentam alto índice de concentração, a nova onda deve atingir especialmente tradicionais produtores de carne bovina da América do Sul, como Brasil, Argentina e Uruguai.

De acordo com números compilados pelo banco, nos Estados Unidos, três companhias respondem por 65% dos abates de bovinos; na Austrália o índice chega a 55%. Já no Brasil (35%), Uruguai (30%) e Argentina (10%) os patamares detidos pelas três principais empresas desses mercados são bem menores.

Guilherme Melo, analista econômico do Rabobank no Brasil e um dos editores do relatório, avalia que no mercado brasileiro essa nova onda de consolidação deve ocorrer no médio prazo. "As grandes companhias estão numa fase de ganhar sinergias após suas aquisições mais recentes, mas no médio prazo haverá uma seleção natural", disse à reportagem.

Embargo


Lembrando o recente embargo da Rússia às carnes de Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul, Melo ponderou que cada vez mais as empresas buscam a expansão geográfica de suas unidades frigoríficas por causa dos riscos de se concentrar num só Estado.

Outro fator que deve empurrar as companhias para maior concentração é a consolidação do setor de supermercados. "Os frigoríficos vão precisar ter escala cada vez maior para atender esse setor."

Na parte financeira, as empresas menores são cada vez menos rentáveis diante da elevação dos preços do boi, um fenômeno que ocorreu nos principais países produtores, que também reduziram seus rebanhos nos últimos anos. Elas têm menos acesso a fontes de financiamento e podem tornar-se alvos mais fáceis de compradores.

"Um importante desafio que os processadores enfrentam é a liquidez financeira para capital de giro em face dos preços extremamente altos do gado.

Por isso, grandes companhias com melhor acesso a financiamentos de várias fontes têm uma vantagem competitiva sobre players menores, que às vezes são forçados a simplesmente reduzir seus níveis de produção por causa de sua liquidez limitada", diz o relatório do Rabobank.

O documento cita, ainda, a necessidade cada vez maior entre as empresas de construir uma plataforma global para fornecer e negociar produtos de carne bovina e outras proteínas animais.

"A próxima era de processadores de carne bovina de sucesso precisará de escala para ter acesso ao gado de que tanto necessitam, bem como as oportunidades de arbitragem comercial, que estão cada vez mais presentes na indústria global de carne bovina".

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Austrália


O Rabobank comenta que a Austrália acaba de passar por um forte processo de consolidação liderado por grandes empresas. O Grupo JBS adquiriu, em 2010, a Rockdale e se tornou responsável por 28% do abate do país.

A resposta dos concorrentes veio na forma de uma joint venture entre Cargill e Teys Group. Antes de se unirem essas empresas tinham, respectivamente, 6% e 13% dos abates do país. Agora com 19% dos abates da Austrália, o empreendimento figura em segundo lugar no ranking.