08 de julho de 2026
Nacional

Cresce oferta de serviços para solteiros


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São Paulo - Com um número de solitários cada vez maior - cresceu 132% desde 1991 -, São Paulo nunca viu tanta procura por bens e imóveis voltados a esse público.

O principal exemplo são os apartamentos. Os lançamentos de apenas um quarto mais que dobraram em um ano na Região Metropolitana - foram 5.226 unidades em 2010, ante 1.925 em 2009.

O preço dos imóveis acompanha essa demanda. Atualmente, o valor médio de um apartamento novo com um dormitório (R$ 331 mil) é maior que o de dois quartos (R$ 221,5 mil), segundo a Empresa Brasileira de Estudos Patrimoniais (Embraesp).

O consumo desses solitários é um dos principais motores do mercado de bens de higiene, restaurantes, planos de saúde e da vida noturna da capital. Levantamento da Escopo Geomarketing, feito a pedido da reportagem, mostra que os paulistanos que moram sozinhos movimentam R$ 1,1 bilhão por mês nesses setores.

O maior gasto é com alimentação fora de casa - R$ 595 milhões mensais. Já com higiene são R$ 167,6 milhões, alavancados especialmente pelo alto gasto com perfumes: R$ 62,1 milhões. Não menos importante, a cerveja do fim de semana dos paulistanos solitários representa R$ 21,2 milhões por mês.

O grande número de divórcios contribui para essa estatística. A psicóloga Patricia Mendes, de 32 anos, se separou há quase três anos e agora leva um dia a dia independente.

"A realidade muda: é você e você. Não tem aquilo de sair do trabalho e, num dia de cansaço, deixar de resolver as coisas em casa. Se você não lava a roupa, não faz a comida, não limpa, ninguém vai fazer", resume.

Ela conta que aprendeu a resolver "pepinos" antes delegados ao marido. "Desentupo ralo, troco lâmpada queimada, arrumo o varal que estourou... Porque ou faço eu ou terei de pagar para alguém", explica.

Razões

As principais explicações para esse fenômeno são o crescimento no número de idosos e o aumento na renda média do brasileiro.

Porto Alegre, líder no ranking dos solitários entre as capitais, com 21,6%, é o melhor exemplo da primeira razão. A cidade gaúcha é também a capital que conta com mais moradores com mais de 60 anos (15%). Como regra geral, quanto mais velha a população, maior o número de pessoas morando sozinhas após criar os filhos, se divorciar ou ficar viúva.

Florianópolis, segundo lugar na lista das capitais, é um exemplo de como a renda influencia na quantidade de pessoas morando sob o mesmo teto. Como a cidade é a capital com maior renda per capita por domicílio, há mais pessoas com condições de bancar todos os custos de manter uma casa ou um apartamentos apenas com seu salário.

Já São Paulo ocupa um lugar intermediário: é a 8.ª capital com maior renda per capita, 5.ª colocada no ranking da terceira idade e 7.ª das que, proporcionalmente, mais têm domicílios com apenas um habitante.

No total dos municípios brasileiros, a maior média é de Herval (RS), no interior gaúcho, onde 26,6% dos moradores vivem sozinhos. Na outra ponta está Ipixuna, no Amazonas - lá, a alta proporção de indígenas faz menos de 1% dos lares ter só um morador.