09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Herança para lá de maldita


| Tempo de leitura: 1 min

Convenhamos que nossa presidente da República não é nenhuma insensata nesse mar de néscios que habitam a política brasileira. Convenhamos que, por haver substituído na Casa Civil, o até então comandante da quadrilha de ineptos e inaptos usufrutuários partícipes do escândalo do mensalão, essa distinção não é para qualquer brasileiro que não tenha passado pelo suplício de uma ditadura militar ? tendo conhecido "na carne" o lado negro da recente história contemporânea brasileira ? cujo poder estava calcado na espada e no coturno.

Convenhamos que, para aceitar, como aceitou, o carimbo de "mãe do PAC" ? enxertado pelo seu antecessor, que no auge da escala ibopeana reinava sem contestação ? nossa presidente jamais imaginaria receber, nas entrelinhas de declarações alhures, o labéu que hoje são arrotados pela mesma canalha que em passado recente deu-lhe apoio irrestrito em troca de ministérios e quejandos com porteira fechada. Na vileza das declarações existentes nessas entrelinhas, insinuam baixezas próprias do caráter de bandidos travestidos de excelências e que, não faz muito tempo, se venderam no triste episódio da reunião que teve a participação do finado ex-presidente da República.

Os historiadores certamente resgatarão esses dias negros que hoje emolduram os porões putrefatos das bibliotecas republicanas. Oxalá nossa presidente possa concluir a faxina iniciada e seus milhões de eleitores comparem os estilos do "antes" e do "agora" e evoluam para a consolidação de que se houve no passado recente o recebimento de uma herança maldita ? frase lapidada e levada ao acme pela petizada ? o que dizer então da herança para lá de maldita que Dilma recebeu?


Nicanor Amaro da Silva Neto