08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

"Dificuldade em verbalizar"


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Complementando a matéria tão inteligente publicada pelo economista Reinaldo Cafeo, que sempre acompanho e admiro, gostaria de acrescentar algo que aprendi na longa vivência de professora de várias gerações. É verdade que entre os jovens de hoje, mesmo os estudiosos de todas as matérias, que a tecnologia exige como condição primordial para viver de acordo com a época, muitos não são capazes de redigir um ofício, um requerimento, alguns nem mesmo uma carta. Mas, meu caro, os jovens de outros tempos, das gerações mais próximas das dos nossos antepassados, também não possuíam essa capacidade. Sempre, em turmas mesmo de universitários e pré-universitários, somente a minoria, em cada turma de cerca de trinta, somente uns dez mais ou menos, seriam capazes de redigir de forma correta, e eu me refiro a cursos de humanas, especialmente letras, nos quais eu trabalhava.

Na verdade, em cada geração uns poucos se sobressaem no que se refere à capacidade de redigir corretamente, tanto que em cada nova geração cada vez menos aparecem escritores que valham a pena serem lidos, se os confrontarmos com os nomes consagrados do passado. E no seu campo então, se tirarem dos jovens as suas maquininhas de calcular, os seus computadores e/ou saiba-se lá mais o quê seus cérebros privilegiados tenham inventado para "facilitar" os cálculos, e fornecer soluções prontas, que farão eles, daqui para a frente quando tiverem de usar só a própria cabeça?

É isso que eu queria acrescentar; seja em que geração for, o importante é que não percam a capacidade de pensar e de formular seus pensamentos, seja em letras e/ou em números ou serão um dia superados pelos robôs criados por eles próprios.


Isolina Bresolin Vianna