08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Poda do desânimo


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Valia a pena olhar a cara da funcionária da prefeitura ao informar o tempo necessário para se conseguir uma poda de árvore em Bauru:

- No mínimo 8 meses - falou, com um pessimismo de dar pena. E pela expressão em seu rosto, dava a impressão que levaria um tempo ainda maior. Parecia ser uma "missão impossível" ou coisa assim. Hoje, 4 meses depois e ainda na espera, vejo que ela sabia o que estava falando. Nada melhor que uma funcionária que tem a cara da administração, ou seja: desânimo. Muito além do pessimismo, acho que isso é realismo mesmo. Certas práticas, como o descaso, a indiferença e o cinismo parecem se perpetuar mandato após mandato.

Sejamos otimistas e vamos acreditar que a Prefeitura um dia vai ter a mesma eficiência para cumprir sua obrigação na limpeza da cidade, como tem para dar notificações a terrenos vazios (que a duras penas são periodicamente limpos por seus proprietários). A propósito, otimismo é sinônimo de criatividade e idéias novas. Que tal unir os dois temas e criar um novo modo de atuação? Os donos de terrenos vazios poderiam ser vistos como parceiros da prefeitura. Por exemplo, cedendo o espaço para se fazer hortas comunitárias, que beneficiaria o setor de saúde em nossa cidade ao abastecer as creches e escolas com alimentação saudável a baixo custo.

Ao invés de dar dinheiro aos caçambeiros de entulhos, investiríamos em adubos. Ao invés de fiscais multando, teríamos jardineiros. Poderíamos até deslocar alguns dos antigos fiscais para o setor de poda de árvores. Evitaríamos assim a ridícula situação de se esperar cair até a última folha das árvores a entupir nossos bueiros, para depois dizer que a falta de educação (conhecimento aplicado ao bem comum) é do povo.


José Roberto P. R. Da Silva