08 de julho de 2026
Nacional

Com saída de Pagot, Dnit funciona só com 2 diretores

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Pressionado pelo Palácio do Planalto a deixar o governo, Luiz Antonio Pagot encerrou suas férias e oficializou ontem a saída da diretoria-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Pagot enviou na manhã de ontem uma carta à presidente Dilma. Em seguida, reuniu funcionários para uma despedida, na qual voltou a defender o órgão e foi aplaudido.

Indicado pelo PR, ele é o 17.º a perder um cargo depois de ser envolvido nas acusações de superfaturamento de obras e pagamento de propina no setor de Transportes.

Sua saída conclui uma etapa do processo de "faxina" ordenada pela presidente Dilma e posta em prática pelo ministro, Paulo Sérgio Passos, também filiado ao PR.

A crise derrubou, além de Pagot, mais dois diretores e dois servidores só na cúpula da autarquia. Agora, o Dnit, que é um órgão colegiado, tem com só dois dos sete diretores.

Sem o quadro completo, o trabalho no órgão ficará prejudicado. Eles não poderão deliberar, por exemplo, sobre temas como mudanças em obras em curso, novas licitações e fiscalizações.

Segundo o Dnit, as obras já em curso não serão prejudicadas, pois só dependem das superintendências regionais.

Novos diretores


Em entrevista na semana passada, Dilma afirmou que quer enviar ao Senado, para sabatina, o nome do novo indicado na próxima semana. Segundo assessores, ela tem tratado diretamente com o ministro Passos o preenchimento dos cargos.

Além da secretaria-executiva da pasta, estão vagos cargos na cúpula do Dnit e da Valec, órgãos vinculados aos Transportes.

O único nome ventilado até o momento para a vaga de Pagot é o do gerente da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Deuzedir Martins.

A demissão de Pagot foi negociada com o Planalto. Ele fazia parte do primeiro grupo de servidores afastados por determinação de Dilma por conta do escândalo.

O ex-diretor, no entanto, relutou em sair e, em vez de se desligar do cargo, decidiu entrar em férias por 30 dias. A ideia era ganhar fôlego para voltar se a crise esfriasse. Ontem, Pagot se reuniu com o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) e deixou com ele a carta para Dilma, que estava em viagem.

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Despedida


No fim da manhã de ontem, o agora ex-diretor se reuniu cerca de 400 servidores no auditório do órgão. Voltou a rebater a manifestação do ministro Jorge Hage (Controladoria Geral da União) e disse que a corrupção não está no DNA do Dnit. "O Dnit é feito por gente que trabalha muito", disse.

Ainda reclamou da falta de estrutura e destacou que o órgão é responsável pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), principal programa de investimento do governo. Saiu de lá, segundo relatos, aplaudido de pé.

O ex-diretor foi o único dos envolvidos no suposto esquema a falar no Congresso sobre as suspeitas de corrupção. Pagot negou envolvimento nas acusações e deixou de lado as ameaças feitas nos bastidores, evitando envolver outros ministros no escândalo, como Paulo Bernardo (Planejamento).

Pagot, no entanto, afirmou na Câmara ter "convicção absoluta" de que a presidente "sabia de tudo" que acontecia no Ministério dos Transportes.