09 de julho de 2026
Bairros

Mãe e filho são queimados em incêndio

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Uma bota queimada na escada da casa e restos chamuscados do que seria a manga de uma blusa. Em meio a toda correria da Polícia Militar (PM) e do Corpo de Bombeiros, era isso que podia ser visto no bairro Santa Clara, em Bauru, na tarde de ontem. No local, mãe e filho, que prestavam serviços de limpeza em uma residência, tiveram grande parte de seus corpos queimados. De acordo com os bombeiros, é provável que o princípio de incêndio ocorreu pela utilização de gasolina na limpeza junto com uma enceradeira elétrica.

O fogo começou por volta das 16h30 no quintal de uma casa localizada na quadra 15 da rua Quintino Bocaiúva. Uma empresa prestadora de serviços limpava o imóvel.

Segundo o tenente do Corpo de Bombeiros Victor Félix Tozi Bonfim, os trabalhadores utilizavam gasolina para limpar o chão. Ao passar a enceradeira sobre o combustível, provavelmente por conta de um aquecimento no equipamento, o fogo se alastrou.

Com as chamas, Neuraci Nunes Berbel, 42 anos, e seu filho Luís Henrique Berbel, 25, sofreram graves ferimentos. Segundo os bombeiros, a mulher teve queimaduras nos braços, porém, o jovem teve cerca de 60% do corpo queimado.

"A recomendação é de nunca usar líquidos inflamáveis para a limpeza. É algo muito perigoso e que pode resultar em uma tragédia", alerta o tenente Tozi.

No local, os proprietários da residência, que segundo informações dos vizinhos não estavam na casa na hora do acidente, não quiseram falar com a reportagem. Os bombeiros afirmaram que, como tudo ocorreu na área externa, não houve grandes danos no imóvel. A proprietária não permitiu a entrada do JC.

O pedreiro Ailton Sebastião, 46 anos, foi quem acionou a polícia e os bombeiros. Ele, que trabalhava em uma obra bem ao lado da residência, ouviu um forte estrondo e escutou muitos gritos dentro da casa.

"Eles gritavam desesperados. Vi a fumaça e comecei a ouvir a gritaria. Foi aí que corri e vi a mulher desesperada. Ela estava com os braços bem queimados. Mas o jovem se machucou mais. Teve queimaduras no corpo inteiro, inclusive no rosto. Não conseguiu nem ser colocado na maca de tantos ferimentos", conta o pedreiro.

Estado grave


As vítimas foram socorridas e encaminhadas ao Pronto-Socorro Central (PSC). Mãe e filho iriam ser encaminhados à Unidade de Tratamento de Queimaduras (UTQ) do Hospital Estadual (HE), entretanto, segundo a assessoria de comunicação da instituição, não havia vagas disponíveis.

Por volta das 23h, o serviço social do PSC informou que os pacientes ainda estavam na unidade aguardando encaminhamento após pedido feito para a Central Reguladora de Vagas. Até o fechamento desta edição, as vítimas, que de acordo com o PSC estavam em estado grave, ainda aguardavam internação em alguma unidade especializada.

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Alerta


Um defeito no aparelho ou descuido? Seja qual for o motivo do princípio de incêndio, a Defesa Civil alerta que nenhum combustível deve ser utilizado em limpezas. "Os vapores dos combustíveis preenchem os espaços vazios. Assim, com apenas uma fagulha, o incêndio se propaga de forma muito repentina, formando uma bola de fogo", explica o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito.

Segundo ele, além do risco de incêndio, os vapores ainda podem causar intoxicações ao serem inalados. Josué Gomes de Moraes, também da Defesa Civil, afirma que nunca se deve utilizar ou armazenar combustíveis perto de energia elétrica.

"Uma faísca pode causar uma enorme tragédia. Então, qualquer que seja o combustível, nunca deve ficar próximo de qualquer aparelho que funcione com energia elétrica", completa.

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Gasolina?


Um dos responsáveis pela prestadora de serviços, Rodolfo Delone, 60 anos, estava no local, mas não se feriu. Segundo ele, o que ocorreu foi um problema na enceradeira, pois, de acordo com sua versão, eles não usam gasolina nas limpezas.

"Essa gasolina nós não usamos na firma. Na verdade, somos autônomos. Acho que a enceradeira estava quente de muito ser usada e acabou tendo um problema. Pode ter sido um problema no fio" afirmou Rodolfo, sem responder, entretanto, qual seria a finalidade do combustível.

Ao contrário da versão apresentada pelo homem, os bombeiros confirmaram que havia bastante gasolina no local. Após a contenção das chamas, o ponto ficou isolado por algum tempo, justamente pela volatilidade apresentada.

O pedreiro Ailton Sebastião, que acionou a emergência, afirma que viu os funcionários entrando na casa com gasolina pouco antes do acidente. "Vi uma moça entrando com dois galões de gasolina. Quando passou cerca de 15 minutos, eu escutei o barulho e vi o incêndio", conclui o pedreiro.

Ainda ontem, foi feita a perícia para tentar descobrir a verdadeira causa das chamas.