09 de julho de 2026
Regional

Mulher que disse ter achado bebê no lixo é a mãe da criança

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu ? Ontem de madrugada, por volta da 1h15, a Polícia Militar (PM) de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) foi acionada por uma mulher, aparentemente nervosa, que alegou ter encontrado um recém-nascido dentro de um saco de lixo, na lixeira em frente à sua residência. O caso do suposto abandono do bebê, revoltante por si só, gerou ainda mais indignação quando, no final da tarde, a mulher acabou confessando que era a mãe da criança e que havia inventado a história porque não tem condições financeiras de cuidar do filho.

Segundo a PM, a equipe foi acionada pela doméstica Jocilene Veloso Schott, 33 anos, moradora da rua Edgar de Alencar Saboya, no Parque Marajoara. De acordo com versão inicial contada por Jocilene, ao chegar em sua residência ela teria se deparado com algo se mexendo dentro de um saco plástico de cor preta, em cima da lixeira. Ao se aproximar, ela teria constatado que se tratava de um recém-nascido do sexo masculino, que estava enrolado em um lençol.

A doméstica relatou aos policiais que recolheu imediatamente a criança e telefonou para o 190. O bebê, pesando pouco mais de 2,8 quilos, foi socorrido até o Pronto-Socorro Municipal, onde recebeu os primeiros cuidados médicos. Por volta das 2h30, ele foi transferido pela Unidade de Resgate do Corpo de Bombeiros, que realizou o grampeamento provisório do seu cordão umbilical, para o Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Unesp.

Segundo o hospital, o quadro inicial do recém-nascido era de hipotermia grave, ou seja, temperatura corporal abaixo de 34 º C e frequência cardíaca abaixo de 100 batimentos por minuto. Ele foi encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do HC. Até o final da tarde, segundo boletim médico, o bebê permanecia internado na unidade aguardando a realização de exames de rotina e seu quadro de saúde era estável.

Os policiais que levaram o recém-nascido ao hospital disseram ter se emocionado ao pegar o bebê. "Por mais experiente que a gente seja, um caso como este mexe com nosso emocional", disse o policial militar Roma. "Foi uma cena muito triste encontrar uma criança naquela situação. Muita gente reza pra ter filhos e é lamentável que uma mulher tenha tomado a triste decisão de jogar o próprio filho no lixo", afirmou.

O abandono de recém-nascido foi registrado no Plantão Policial. Ontem de manhã, o caso passou a ser investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), que instaurou inquérito para apurar suposto crime. Após investigações, a titular da unidade, delegada Simone Alves Firmino, revela que a polícia passou a desconfiar da história. No final da tarde, a doméstica acabou confessando à delegada que era a mãe do recém-nascido e que havia inventado a história do abandono por não ter condições de cuidar do filho. De acordo com Firmino, Jocilene é solteira, mora com a filha de seis anos e alega que o pai do bebê foi assassinado. "Ela disse que ninguém, nem mesmo da família dela, sabia da gestação. Ela chegou aqui em Botucatu no mês de abril e escondeu a gravidez o tempo todo", diz.

A delegada explica que como o abandono não ficou configurado, já que o bebê foi entregue pela mulher aos policiais, ela irá responder apenas por comunicação falsa de crime. A pena, nesses casos, pode chegar a até seis meses de detenção. Assim que o recém-nascido tiver alta médica, o juiz da Vara da Infância e da Juventude.

Em entrevista ao Jornal Acontece Botucatu, Jocilene declarou que fez tudo por amor, por acreditar que o bebê pode ter um futuro melhor sob os cuidados de outra família.