Recebi e-mail de um amigo brasileiro, Fillipe Forster, que reside na Áustria (Europa), que faço questão de repassar para a democrática Tribuna do Leitor, a missiva dele: "... a cultura da vida rápida e máximo aproveitamento de vantagens individuais infelizmente dominam ainda no Brasil. Em um país onde trem é chamado de trem de ferro, locomotiva chamada de vagão e locomotiva a vapor de Maria Fumaça, é extremamente complicado demonstrar as vantagens de um sistema de transporte que, na maioria dos casos na realidade brasileira, é algo visto como ultrapassado, ineficiente, inseguro e banal.
O Brasil é um dos países do mundo com um dos maiores potenciais ferroviários existentes, devido à sua dimensão, passageiros e carga a transportar, e ausência de grandes barreiras geográficas como nos Andes, por exemplo, ou extremos desertos da Austrália, ou ainda ausência de intensas atividades geológicas que nem assim impediram países asiáticos de construir trechos de alta velocidade em zonas de encontro tectônico.
Não temos furacões derrubando vagões dos trilhos como nos EUA, não temos geleiras como no Alasca (EUA), Canadá ou Rússia, Península da Escandinávia (Europa), por exemplo, não temos incompatibilidade de padrões como nos países europeus, onde cada um prescreve o seu sistema ferroviário independente do país adjacente, o que impossibilita trens de trafegarem livremente entre países, ainda que na mesma bitola.
Não temos exorbitantes altitudes como no Peru ou Tibete, onde vagões e locomotivas devem ser adaptados para as dificuldades geradas na operação, onde trabalhadores e passageiros são constantemente confrontados com os riscos da falta de oxigênio. Ainda não temos um país superpopuloso como Índia, onde trens trafegam constantemente superlotados... .
O que temos é um povo que trabalha um ano inteiro para um carnaval que dura 4 dias. Temos um país que para, fecha bancos, deixam hospitais sem médicos, por causa de jogos de Copa do Mundo. Temos telenovelas em horário nobre, em uma televisão que no restante de sua programação não transmite nenhuma fração de conteúdo cultural.
Temos políticos e empresários olhando para o próximo grande negócio, e um povo que deixa isso acontecer e acontecer... .
E se você fizer um churrasco e tentar falar sobre este tipo de assunto, logo alguém o rotula como um chato... .
É um problema de mentalidade o que enfrentamos... .
Isso só mudará em várias gerações.
Nós mesmos provavelmente não mais veremos esta mudança, precisaremos de mais 500 anos e novos colonizadores provenientes de uma terra diferente da qual os herdamos... .
Diz uma anedota:
- Quando Deus criou o nosso planeta, ele cuidou para que em cada canto do mundo, a humanidade fosse confrontada com inúmeras dificuldades como vulcões, terremotos, furacoes, dilúvios... .
- E quando São Pedro apontou para aquele imenso, lindo paraíso tropical sem nenhuma gravidade natural, farto em rios, recursos minerais, florestas e perguntou ao Senhor se Ele não havia esquecido aquele gigante lindo oásis na Terra, Deus sabiamente o respondeu:
- Conhecerás o povo que para lá mandarei, Pedro! Eu amo esta..., tudo explicado, não?"
Ricardo Frontera - professor